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Justo? Injusto? Os melhores do ano modalidade por modalidade

Demétrio Vecchioli

27 de novembro de 2013 | 12h21

Com algum atraso, mas bastante reflexão, seguem os comentários, modalidade por modalidade, sobre os vencedores do Prêmio Brasil Olímpico. Concorda? Discorda? Comenta aí na caixinha também

Atletismo – Duda – Justo, mas naquelas. Foi o melhor brasileiro no Mundial de Moscou. O único que brigou de verdade por uma medalha. Não conseguiu por detalhes, mas chegou perto, ficando a 3cm do pódio.

Mas acho que mais justo ainda seria dar o prêmio à Ana Cláudia Lemos. Os temos que ela fez no começo da temporada são fantásticos, uma evolução tremenda para o velocismo brasileiro. Não fosse o erro no bastão, o Brasil teria ganhado medalha no revezamento e ela é o principal nome da equipe.

Badminton – Lohaynny Vicente – Nada mais justo. Neste ano, disputou sete torneios e subiu seis vezes ao pódio. Tem apenas 17 anos. Mas acho que a dupla Alex Tjong/Hugo Arthuso merece uma menção honrosa.

Basquete – Tiago Splitter – Errado. Injusto. Splitter foi vice-campeão da NBA, beleza. Mas não representou o Brasil no fracasso da Copa América, resultado que colocou em xeque a qualidade do nosso basquete. Teve seus motivos para não ir? Claro que teve. Mas nunca poderia ser premiado.

Antes de Thiago Splitter deveria ter ganhou Marcelinho Huertas, que deu a cara a tapa e foi para a Copa América. E que foi vice do Campeonato Espanhol como protagonista. Mas minha escolha seria mesmo pela Érika, mais uma vez vice-campeã da WNBA.

Boxe – Robson Conceição Sem sombra de dúvidas a decisão mais correta. Nem há contestação. Vice-campeão mundial. Ainda sobrou no título Pan-Americano.

Canoagem Slalom – Ana Sátila Também nem há discussão. Medalhou no mundial júnior e segue como a melhor do País no adulto, ainda que longe de um resultado expressivo.

Canoagem Velocidade – Isaquias Queiroz Perfeito. Foi campeão mundial numa prova não-olímpica e bronze em outra. Isso no primeiro Mundial adulto – apesar de ter idade para competir entre os juniores. Não fosse o desabafo fora de propósito que fez no Facebook, poderia estar entre os três que disputam o Prêmio Brasil Olímpico.

Ciclismo BMX – Renato Rezende Não há o que tirar nem pôr. Teve um segundo semestre ruim, mas foi muito bem no começo da Copa do Mundo, chegando a duas finais. Conquistou os melhores resultados da história do Brasil no BMX.

Ciclismo Estrada – Rafael Andriato Não há fator de comparação com os que estão no Brasil. Por competir entre os melhores do mundo, foi escolhido. Mas a melhor brasileira no Mundial foi Flávia Oliveira, que também ganhou a Volta do México. Votaria nela.

Ciclismo Mountain Bike – Henrique Avancini – Nem havia como ser diferente. Chegou ao melhor ranking da história do MTB brasileiro e conquistou bons resultados. Uma pena ter sofrido acidente no Mundial.

Ciclismo Pista – Flavio Cipriano – Não sei dizer. É uma modalidade que engatinha no Brasil. Sequer foi ao Mundial. Mas o Cipriano parece ser o nome mais importante da nova geração.

Desportos na Neve – Isabel Clark – Perfeito. Manteve-se entre as 20 melhores do mundo durante toda a temporada. É a única esquiadora brasileira realmente de elite e que não vai os Jogos de Sochi porque existe uma cota enorme de vagas.

Desportos no Gelo – Isadora Williams – Conquistou uma vaga olímpica para o Brasil nos Jogos de Sochi. Não havia como ser diferente.

Esgrima – Gabriela Cecchini Outra escolha perfeita. Foi medalhista no Mundial de menores e já começou a dar os primeiros passos entre as adultas, apesar dos 16 anos. Mas vale menção honrosa para a Cleia Guilhon, que foi bronze no Pan-Americano (algo raríssimo) e para Renzo Agresta, que teve o melhor ano da carreira, talvez, com seu melhor resultado em Mundiais e o primeiro título pan-americano.

Futebol – Neymar – Nem há o que falar. Justíssimo.

Ginástica Artística – Arthur Zanetti – Teve um ano perfeito, vencendo tudo que disputou nas argolas. Foi campeão mundial e da Universíade, se não com sobras, com a segurança de quem sabia que venceria. Diego Hypolito teve um ano para mostrar que segue entre os melhores do mundo, mas o prêmio tem mesmo que ser de Zanetti.

Ginástica de Trampolim – Giovanna Matheus – Tenho minhas dúvidas. O Brasil participou de poucas competições ano ano. Foi a uma Copa do Mundo e ao Mundial. Giovanna não foi a melhor do Mundial. O posto ficou com Camilla Gomes, que deveria ter sido a escolhida.

Ginástica Rítmica – Angelica Kvieczynski – No individual, foi a melhor brasileira no Mundial e venceu o Campeonato Brasileiro. O prêmio, assim, é bastante merecido. Mas talvez valesse a pena homenagear alguém do conjunto, que conquistou uma medalha de bronze em Copa do Mundo.

Golfe – Adilson da Silva Alexandre Rocha é o golfista brasileiro de maior renome, mas, nesta temporada, sequer conseguiu se manter no PGA Tour. Assim, o prêmio fica merecidamente com Adilson, que joga o Circuito Africano, venceu uma etapa este ano e alcançou o 215.º lugar do ranking mundial, histórico para o golfe brasileiro.

Handebol – Alexandra Se a ponta é a melhor jogadora do mundo e artilheira da Liga dos Campeões, principal torneio interclubes da modalidade, nada mais justo que ser também escolhida como melhor do handebol no Brasil. Mas Duda, que venceu a Liga na temporada passada, merecia um prêmio de consolação.

Hipismo Adestramento – Luíza Almeida – Na concorrência com os irmãos, levou a melhor. Na temporada, participou praticamente apenas das seletivas para o Mundial da Normandia, e foi a melhor na maior parte das vezes.

Hipismo CCE – Marcelo Tosi – Ano de muitas mudanças no CCE. Não sei dizer, sinceramente.

Hipismo Saltos – Doda – Falhou na hora de dar o título da Copa das Nações para o Brasil, mas foi sim o melhor cavaleiro do País em 2013. Ganhou uma etapa do GCT e também a principal prova em Wellington no primeiro semestre. Nenhum outro brasileiro chegou aos seus pés.

Hóquei Sobre Grama – Matheus Borges Ferreira – Modalidade engatinha. Não sei opinar.

Judô – Rafaela Silva – Única brasileira campeã mundial no judô, não poderia ficar sem o posto de melhor da modalidade em 2013. Se formos considerar o ano todo, talvez não tenha sido a brasileira que teve melhores resultados. Mas venceu o Mundial e é isso que importa.

Levantamento de Peso – Fernando Reis – Ganhou o Pan-Americano e ficou em sétimo no Mundial, conquistando provavelmente o melhor resultado do País na história da modalidade. Não havia como não ganhar o prêmio.

Lutas – Joice Silva Foi oitava colocada no Mundial (melhor resultado do País) e ficou com a prata no Pan. Aos 30 anos, segue como a melhor lutadora brasileira, numa modalidade em que os homens não se destacam. Prêmio justo.

Maratona Aquática – Poliana Okimoto – Existem duas maratonistas aquáticas de alto rendimento no País. Poliana foi prata nos 5km, ouro nos 10km e bronze no revezamento no Mundial de Barcelona. Nas duas provas individuais ficou à frente de Ana Marcela Cunha, que não conseguiu o bicampeonato nos 25km. Nada mais justo que Poliana vença.

Natação – Cesar Cielo Campeão mundial nos 50m livre e nos 50m borboleta, isso depois de passar por cirurgias nos joelhos. Não há melhor dúvida de que foi o melhor da natação, ainda que Thiago Pereira e Felipe Lima tenham ganhado medalha em provas olímpicas no Mundial.

Natação Sincronizada – Lorena Molinos – Não sei. Lorena e Giovana formaram o dueto brasileiro no Mundial porque Lara e Nayara decidiram tirar um ano sabático. Azar o delas. Ponto. Na disputa entre Lorena e Giovana, não sei que leva a melhor, mas foi Giovana a escolhida para disputar o solo pelo Flamengo no Brasileiro. Logo…

Pentatlo Moderno – Yane Marques – Foi medalhista de bronze no Mundial, venceu a Kremlin Cup e ganhou bronze na Copa dos Campeões. Fez um grande segundo semestre, apesar de ter começado mal o ano, sendo apenas a oitava no Super Final da Copa do Mundo, por exemplo.

Polo Aquático – Izabella Chiappini – É o principal nome da seleção feminina de polo aquático. Ganhou o Sul-Americano Juvenil, disputou o Mundial adulto e também o Mundial juvenil. Levou o prêmio porque o feminino ganhou vaga no Mundial de Barcelona e o masculino não.

Mas o melhor do ano foi o Grummy, que liderou a seleção juvenil no bom sétimo lugar no Mundial da categoria, o melhor já alcançado pelo polo brasileiro. Num esporte coletivo, o prêmio deveria estar relacionado à melhor campanha. E a melhor foi do time juvenil masculino.

Remo – Fabiana Beltrame – Conseguiu medalha numa etapa de Copa do Mundo e foi a melhor brasileira no Mundial de Remo, terminando em quarto na sua prova. É o grande talento do remo brasileiro e, se a modalidade continuar no pé que está, Fabiana ainda ganhará o prêmio por muitos anos.

Rugby – Julia Sardá – Não sei avaliar direito. Mas ela parece ser a principal atleta da seleção feminina, que tem resultados melhores que a masculina (participa do Circuito Mundial e foi o Mundial). Logo, diria que foi justo.

Saltos Ornamentais – Cesar Castro – Ganhou uma etapa de Copa do Mundo e foi o único representante do Brasil no Mundial. Foi praticamente o único brasileiro a competir em alto nível neste ano. Os mais jovens foram fazer estágio na China, Hugo Parisi caiu no doping (sem culpa aparente) e Juliana Veloso teve filho. Não tinha como dar para outro.

Taekwondo – Guilherme Dias – Novamente o prêmio fica com o brasileiro que teve o melhor desempenho no Mundial. Aos 20 anos, chegou agora à seleção e já ganhou medalha no Mundial – a única do País.

Tênis – Bruno Soares – Termina o ano como terceiro melhor duplista do mundo, ameaçando, em alguns momentos, a supremacia dos irmãos Bryan. Melhor ano de um brasileiro no tênis desde Guga.

Tênis de Mesa – Hugo Calderano – Essa era a categoria mais difícil. Três brasileiros mereciam o prêmio. Hugo porque foi campeão em Santos e se tornou o mais jovem a ganhar uma etapa de Circuito Mundial. Cazuo Matsumoto alcançou um ranking histórico, entre os 60 melhores do mundo, chegando a vencer o nono colocado da lista.

Caroline Kumahara conseguiu feito parecido com o de Cazuo. Também venceu uma japonesa top10 e alcançou o melhor ranking do tênis de mesa feminino. Pela novidade de ser um prêmio para uma mulher, ficaria com ela.

Tiro com Arco – Sarah Nikitin – Quando imaginaríamos uma brasileira entre as 10 melhores do mundo no tiro com arco? Sarah conseguiu isso, bateu o recorde brasileiro, e foi oitava colocada no Mundial. Merece demais o prêmio.

Tiro Esportivo – Cassio Rippel – Foi o melhor brasileiro do ano. Fez final de Copa do Mundo, brigando contra finalistas olímpicos, e terminou em quinto na Universíade. Voltou a colocar o tiro brasileiro em destaque e merece o prêmio.

Triatlo – Pâmella Oliveira Prêmio injusto. Ela foi sim a mais regular das brasileiras na temporada, sempre ficando entre as 30 melhores nas competições. Mas Reinaldo Collucci conseguiu um nono lugar do Mundial. Pâmella ficou na 26.ª posição.

Vela – Jorge Zarif – COB pecou pela pressa. Quis anunciar cedo demais os vencedores, para dar logo início à votação do Prêmio Brasil Olímpico, e não esperou Robert Scheidt ser campeão mundial na volta à Laser. Mas isso tem o lado bom. Premiou Zarif, que foi o mais jovem brasileiro nos Jogos de Londres, foi mal por conta de uma contusão, mas voltou forte e, em 2013, venceu o Mundial da Finn no júnior e no adulto, se tornando o mais jovem campeão da classe. Também merecia o prêmio.

Vôlei de praia – Talita – Está certo. Talita/Taiana venceu o Circuito Mundial de Vôlei de Praia e o prêmio tinha que ir para a melhor delas. Foi para Talita, a segunda mais experiente jogadora do País hoje.

Vôlei – Thaisa – O time feminino foi melhor que o masculino. Logo, a premiada tinha que vir das mulheres. Thaisa ganhou como a melhor do Grand Prix. Logo, leva também o prêmio nacional.

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