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Laís mexe os ombros, mas segue sem movimentos nos braços e pernas

Demétrio Vecchioli

29 de janeiro de 2014 | 19h52

Há pouco fato novo no segundo boletim médico divulgado pelo Hospital da Universidade de Utah (EUA) sobre o estado de saúde da ex-ginasta Lais Souza. De acordo com o mesmo, a atleta conseguiu mover os ombros nesta quarta-feira. Ela está acordada e consciente, mas segue sem movimentar braços e pernas.

O texto, ao ser replicado pelo COB, ganhou declarações do médico Antonio Marttos Jr, que é quem acompanha, em nome do Comitê Olímpico Brasileiro, o procedimento realizado pelos norte-americanos. Mas não há nenhuma referência à sensibilidade no braço, relatada pela colega Josi Santos, mais cedo.

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“Lais está acordada, interagindo com todos ao seu redor e mentalmente muito forte para enfrentar a longa recuperação que terá pela frente. Ela deverá ser submetida a uma traqueostomia e gastrostomia entre hoje (quarta) e amanhã (quinta). Estes procedimentos são simples e representam os passos iniciais em seu processo de recuperação”, explicou o médico.

“Hoje ela apresentou um pequeno progresso do quadro neurológico e conseguiu mexer e sustentar os ombros, o que não acontecia ontem. Reiteramos que a atleta ainda se encontra na fase aguda do trauma e qualquer prognóstico definitivo necessita de tempo”. completa.

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As duas operações, porém, mostram um quadro complicado. A traqueostomia (introdução de um orifício artificial na traqueia, fazendo ela respirar pelo pescoço) é indicada para o caso de intubações longas. Já a gastrostomia faz com que o alimento seja injetado direto no estômago do paciente, uma vez que ele não consegue se alimentar pela via oral ou nasal. Mas, novamente, é indicado para casos mais prolongados.

Quanto ao movimento do ombro, seria uma boa notícia se aliada à informação de que ela saiu do choque e responde a estímulos. De acordo com o ortopedista Julio Nardelli (leia a matéria completa), é realizado um teste de reflexo nos órgãos sexuais e na região anal. Em síntese, se o paciente responder ao reflexo, significa que ele saiu do choque. Se nem assim mover pernas e braços, a regra é que fique tetraplégico.

Por outro lado, se não responder a estes reflexos, é porque ainda está em choque. E aí não é possível concluir nada. O período do choque não custa extrapolar as quase 48 horas já decorridas desde o acidente.

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