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Maurren errou a hora de parar, mas fica na história

Demétrio Vecchioli

19 de abril de 2015 | 13h15

Maior mulher da história do atletismo brasileiro, Maurren Higa Maggi anunciou, neste domingo a sua aposentadoria das pistas ao fim da temporada. A revelação veio em meio à transmissão do Desafio Mano a Mano, durante o Esporte Espetacular, da Rede Globo. Campeã olímpica em Pequim-2008, ela merecia um anúncio com maior pompa.

“Como todo mundo sabe, não tem como fazer tudo com qualidade. Tudo tem seu tempo. Então, esse é o último ano da minha carreira, vou fazer com qualidade o Time de Ouro. Acho que merecemos ter uma Olimpíada decente, brilhante. E esse ano é o último meu, e ano que vem é só a Rede Globo”, disse ela. Time de Ouro é como a Globo tem chamado a equipe de comentaristas para a Olimpíada.

A impressão que fica é que Maurren foi pressionada a anunciar logo algo que ela já havia definido faz tempo. Em novembro do ano passado, foi apresentada como comentarista da Olimpíada e não respondeu à pergunta: ‘Ué, como assinou contrato para ser comentarista e atleta na mesma Olimpíada?’

Afinal, em fevereiro do ano passado, Maurren fez uma vaquinha virtual (crownfounding) para tentar arrecadar R$ 100 mil para treinar por apenas 100 dias, somando apenas R$ 44 mil. Na época, argumentava que é campeã olímpica e não recebe patrocínio.

Sem apoio, Maurren já deveria ter entendido, àquela época, que sua época esportiva havia passada. Nascida em 1976, fez um ano de 2013 muito ruim, aos 37 anos. Na prova em que foi campeã olímpica (salto em distância), foi só a quinta colocada do ranking brasileiro, expressivamente atrás de Jéssica Carolina dos Reis, então com 20 anos. O momento era de renovação.

Apesar de ter arrecadado R$ 44 mil para treinar, Maurren não competiu nenhuma vez na temporada passada, pelo que mostra o ranking da CBAt.  Em novembro, quando anunciou que comentaria a Olimpíada pela Globo, indicou que havia parado.

Este ano, entretanto, voltou às competições vencendo um torneio da Federação Paulista, resultado que a deixa em terceiro do ranking brasileiro do ano.

Dias depois, anunciou acordo com o São Paulo, para voltar a defender as cores do clube paulista, sem receber nada. Procurava patrocinadores. A sensação que fica, é que a Globo deu um ultimato. ‘Como patrocinador se você não vai à Olimpíada?’

Maurren se despede como a maior atleta mulher do atletismo brasileiro. Tem o recorde sul-americano dos 100m com barreira (12s71) e do salto em distância (7,26m), além da segunda marca da história do País no salto triplo (14,53, apenas quatro centímetros abaixo do recorde nacional).

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