As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Mayra troca de cartucho para conquistar bronze no Mundial

Demétrio Vecchioli

30 de agosto de 2013 | 19h34

O Mundial de Judô foi como uma guerra para Mayra Aguiar. A primeira batalha ela perdeu, eliminada nas quartas de final da categoria até 78kg pela holandesa Marhinde Verkerk. Mas, após intervalo de quase três horas entre as duas etapas do dia no Maracanãzinho, a brasileira recarregou os cartuchos e venceu a segunda batalha, conquistando a sua sétima medalha seguida em competições desse nível, a segunda consecutiva de bronze.

“Perder uma luta é muito, muito difícil. Temos que usar essa pausa (na competição, até o começo das finais) para esquecer e entrar numa nova competição. O primeiro tiro foi dado. Mas eu ainda tinha mais munição para conquistar o bronze. Fiquei muito abalada, mas tinha muita gente para me motivar. Tem que ser forte para voltar”, comentou Mayra Aguiar, após vencer a canadense Catherine Roberge na disputa pela medalha de bronze.

De acordo com o técnico dela na Sogipa, Kiko, Mayra Aguiar lutou apenas com 40% do seu potencial, culpa de uma lesão no pulso direita sofrida ainda durante o Masters de Judô, em maior. “Não deu tempo de recuperar bem. Quando você está lesionado, você não se prepara bem. Ela estava com 40% da condição dela”, disse o treinador.

Mas, na área de entrevista do Maracanãzinho, Mayra Aguiar não quis apontar a parte física como culpada por não ter conseguido o esperado ouro – era a líder do ranking mundial na sua categoria. “Dor não tem como não sentir. Foi na base da superação. Dor vou sentir sempre. Mas agora vou me recuperar para a disputa por equipes, domingo. Vou fazer o que puder para ajudar”, avisou..

Em contrapartida, ela revelou que o problema foi mental. “Pesou um pouco a cabeça. Mas isso não vai mais acontecer”, explicou a judoca de apenas 22 anos, sem ir a fundo no problema. Durante a entrevista, porém, falou da pressão da mídia e que todo o atleta tem problemas pessoais.

Depois de subir ao pódio nas três últimas edições do Mundial na categoria adulto (foi também quatro vezes medalhista no Mundial Júnior), Mayra Aguiar ainda não ganhou a tão sonhada medalha de ouro – tem prata em Tóquio/2010 e bronze em Paris/2011. Para ela, isso é só questão de tempo. “Fui com muita vontade, mas não conseguiu sair daqui com o ouro. Mas tem Mundial todo ano. Uma hora vai vir o ouro”, disse ela, esperançosa – o próximo é no ano que vem, na Rússia.

Antes, Mayra Aguiar ainda tem a chance de ser campeã mundial por equipes, neste domingo, no Rio. Como a categoria de peso dela (até 78kg) não consta no programa da disputa por equipes, será a reserva de Maria Suelen Altheman e, se a seleção precisar, lutará contra atletas sem limite de peso, muitas vezes mais de 50kg mais pesadas do que ela.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: