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Medalha não é tudo para o Brasil no Mundial de Atletismo

Demétrio Vecchioli

21 de agosto de 2015 | 11h39

Fabiana Murer, Thiago Braz, Solonei Gomes dos Santos, revezamento 4x100m masculino. As chances de medalha no Mundial de Atletismo para o Brasil são poucas, mas isso não deve servir como argumento para desvalorizar perante o torcedor brasileiro a competição que começa hoje na China. Afinal, há muito mais coisa em jogo no Ninho do Pássaro do que o pódio em si. Abaixo, listo algumas delas, com uma visão absolutamente otimista.

MARATONA – Vamos começar do começo. São três brasileiros na primeira prova do Mundial, a maratona masculina. Solonei Rocha vem de um sexto lugar no Mundial de Moscou, há dois anos, e tem condições de repetir o Top 10. Ele corre com a expectativa de fazer tempo na casa de 2h10min, o que o colocaria com tranquilidade entre os 10 primeiros e o garantiria na Olimpíada. A medalha seria um plus, mas ele não deve ser cobrado por isso.

COMBINADAS – O Brasil não tem histórico nas provas combinadas e não vai disputar medalha. Mas Luiz Alberto de Araújo e Vanessa Schefer estão em boa fase. Ela tem totais condições de bater o recorde sul-americano do heptatlo. Ele, de pelo menos bater recorde pessoal. Superar o sexto lugar e a pontuação de Carlos Chinin no Mundial passado, entretanto, é improvável.

BARREIRAS – Também as provas de barreira não são de tradição para o Brasil, mas desde que o cubano Santiago Antúnez chegou ao País, no fim do ano passado, as coisas melhoraram. São três brasileiros nos 110m (dois deles com índice olímpico) e duas nos 100m no Mundial. Ninguém deve fazer final, talvez até nem semifinal. Mas também ninguém esperava índices e eles vieram. É uma boa prova para ter surpresa.

HIGOR E ALEXSANDRO – Tanto Higor Alves, de 21 anos, quanto Alexsandro do Nascimento, de 19, têm resultado para chegar a uma final de Mundial. O problema é a regularidade. Ambos já passaram dos 8,10m, mas fazem isso esporadicamente. E, para ter algum sucesso em uma grande competição, precisa chegar a 8,10m nas eliminatórias (após três saltos) e depois na final (também após três saltos). Em Pequim, os dois garotos têm a chance de entrar nesse novo patamar.

VARA – Thiago Braz bateu o recorde sul-americano este ano, com apenas 21 anos, e chega como um dos fortes candidatos ao pódio. O francês Lavillenie é favoritíssimo ao ouro e Thiago deve brigar por prata e bronze com outros três saltadores. Mas o Brasil ainda tem Augusto Dutra e Fábio Gomes. Os dois são azarões, mas não podem ser descartados. Tanto pode acontecer de entrarem tarde na disputa, no tudo ou nada, acertarem, e se darem bem no desempate, quando podem ser beneficiados por erros de quem tentar essa estratégia e não marcar. Ambos podem ser Top 10.

DARLAN – Talvez tenha sido ele, e não Thiago Braz, a grande decepção do atletismo brasileiro no Pan. Afinal, o catarinense de 24 vinha tendo resultados consistentes, que o credenciavam à medalha em Toronto. Foi ser irregular na hora errada. No Mundial, pode dar a volta por cima. Se fizer o que sabe, fica fácil entre os oito primeiros. Se quebrar mais uma vez o recorde nacional (o que tem feito com certa regularidade), entra na briga pelo pódio.

LEGIÃO DO CAMPO – Nunca o Brasil esteve tão forte nas provas de campo. Pela primeira vez, estará representado na quatro provas masculinas, algo antes impensável. Mas, diferente de Darlan, os demais brasileiros (Montanha, Ronald Julião e Julio Cesar Oliveira) não têm tido regularidade. No Mundial, é a chance de fazer isso. Nas quatro provas o recorde nacional foi batido nos últimos dois anos. Se Julião e Julio Cesar voltarem a melhorar suas marcas, brigam até pelo pódio. Mas isso depende de fazer a melhor prova da vida, o que, no atletismo, não costuma acontecer no Mundial.

MARCHA – Também nas provas de marcha atlética “nunca antes na história desse país” o Brasil foi tão forte. Caio Sena tem tudo para obter o melhor resultado da história, terminando entre os 10 primeiros. Pódio é pensar longe demais, por enquanto. Mario José dos Santos Junior e Erica Sena também bateram recordes brasileiros este ano.

ROSÂNGELA – Foi difícil tirar o amargor da boca de Rosângela Santos depois que ela ficou sem medalha no Pan. A carioca queria mais em termos de resultado e de tempo. No Mundial, terá mais uma chance. Ela é mais uma brasileira que, se fizer o que sabe, tem condições de chegar à final (nunca à disputa por medalhas). Pode até, num dia excelente, finalmente quebrar a barreira dos 11s e bater o recorde nacional.

VETERANAS – São quatro representantes do Brasil nas provas de saltos horizontais e só uma é garota (Núbia Soares). Tânia Ferreira e Eliane Martins estão com 29 anos e chegaram agora à melhor fase da carreira, saltando 6,68m nesta temporada. Para ir à final do Mundial, vão ter que fazer o melhor da vida, ou muito perto disso, já nas eliminatórias. De qualquer forma, é a chance de elas deixarem de ser ilustres desconhecidas.

LANÇADORAS – Assim como no masculino, o Brasil vive a melhor fase da história nas provas de campo femininas. Jucilene Sales de Lima, do dardo, é quem tem os resultados mais regulares. Se repetir o que tem feito ao longo do ano, vai à final. Aí, se fizer o melhor da vida briga entre as oito primeiras. O mesmo vale para Andressa de Morais, no disco, e Geisa Arcanjo, no peso. Mas essas duas não vêm em boa fase.

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