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Medalhas em modalidades ‘nanicas’ são legado olímpico

Demétrio Vecchioli

16 de julho de 2015 | 13h20

Não é nenhuma surpresa o desempenho do Brasil nas modalidades em que, até outro dia, tinha pouca ou nenhuma tradição. E este blogueiro é a prova viva: apostou em três medalhas no badminon (bingo!), três no levantamento de peso (foram quatro) e o quinto lugar no geral da modalidade (ficou em quarto), além de oito medalhas na canoagem (vieram nove nas provas de velocidade, restando três possibilidades na slalom).

O blogueiro não é nenhum vidente, pelo contrário. Mas, nessas modalidades (e em outras, como o ciclismo de pista), a evolução do País é evidente e incontestável. E ela está absolutamente atrelada ao fato de que o Brasil será sede da próxima edição dos Jogos Olímpicos. É o tal do legado olímpico na sua mais pura concepção.

Vou usar o exemplo do badminton. Noves fora a questão administrativa (a CBBd está sob nova direção há três anos), a evolução do Brasil na modalidade está diretamente ligada ao fato de que, pela primeira vez, o País vai disputar uma Olimpíada. Inicialmente, porque recebeu convite. As coisas começaram a fluir. Um CT ainda precário foi construído em Campinas, uma seleção permanente montada, a CBBd passou a financiar a ida da equipe completa para pelo menos 10 etapas por ano do Circuito Mundial…

De grão em grão, as conquistas vieram. Classificação para o Mundial em todas as disputas, evolução no ranking, entrada na zona de classificação para os Jogos Olímpicos. As três medalhas no Pan, sendo duas de ouro, são apenas um degrau nesse processo. O Brasil, hoje, é a terceira força do continente. E o resultado de Toronto foi só reflexo disso, do que vinha sendo visto nos eventos internacionais da modalidade, semana após semana. O Pan não é a única referência.

Mais degraus serão superados depois dos Jogos Olímpicos? O blogueiro não é vidente. Isso vai depender, obviamente, do interesse do poder público e também dos patrocinadores privados (e da mídia) em continuar fazendo essa roda girar.

Devemos (opinião pública) saber reconhecer o peso de cada conquista. Quando o garoto de 15 anos ganha o campeonato do colégio, o pai fica orgulhoso. E ficaria no mínimo incomodado se alguém questionasse: “É, mas quero ver se vai chegar no Campeonato Estadual e ganhar também. Na escola é fácil. Contra os melhores, não aguenta”.

O mesmo vale no esporte de alto rendimento. O Brasil queria ser a terceira força do badminton e é. Queria se aproximar de ser o terceiro melhor do continente no levantamento de peso e atingiu o objetivo. Na canoagem, só deve alguma coisa ao Canadá, passou a Argentina. Tinha metas, e cumpriu.

É injusto que se cobre dessas modalidades que, em três, quatro, sete anos, tire não só a desvantagem regional como também a mundial. Vire potência em todos os esportes. Isso não vai acontecer.

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