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Medalhas na ginástica rítmica enganam e acomodam

Demétrio Vecchioli

20 de julho de 2015 | 21h04

A cada quatro anos é a mesma coisa. O Brasil ganha três medalhas de ouro na ginástica rítmica dos Jogos Pan-Americanos, (neste ano, só duas), as apresentações impressionam os leigos, e a sensação que fica é de que estamos a caminho de nos tornarmos potência. Falta impressão.

Depois do Pan de 2011, o Brasil foi ao Mundial de Montpellier (França). Falhou e ficou no 22.º e antepenúltimo lugar no conjunto e sequer ganhou o direito de disputar o evento-teste da Olimpíada. Angélica Kvieczynski terminou em 61.º lugar no individual geral (havia sido bronze em Guadalajara). Também ficou sem chances de ir a Londres.

O primeiro erro está na própria Federação Pan-Americana de Ginástica, que insiste em distribuir absurdas oito medalhas de ouro no Pan, quatro vezes a mais do que na Olimpíada. O Brasil ganha três ouros. E recebe o triplo de cobertura da imprensa do que deveria. E isso vale também para o individual. A mesma norte-americana levou cinco ouros, por um feito só: ser a melhor atleta de ginástica rítmica do continente.

O segundo erro é nosso, da imprensa. É necessário contextualizar o resultado. Em 2003, quando faturou o bi no Pan, o Brasil foi nono colocado no Mundial. Em 2013, na última edição da competição, quando já era tetra, terminou no 12.º lugar. E, de lá para cá, não evoluiu. No Pan, recebeu uma nota ainda pior do que no Mundial, quando disputou a 12.ª colocação exatamente com os EUA, seu único rival continental.

A série de conquistas pan-americanas dá falsa impressão de que o Brasil está bem na ginástica rítmica. Não está. No individual geral (a prova olímpica), o bronze de 2011 virou quarto lugar em Toronto. Isso numa competição de nível fraquíssimo. Nos últimos 10 anos foram realizados cinco campeonatos Mundiais. E só uma vez uma atleta das Américas foi Top 20.

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