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Médico revela prognóstico complicado para Lais Souza

Demétrio Vecchioli

29 de janeiro de 2014 | 10h47

Uma leitura profissional do boletim médico emitido pelo Hospital da Universidade de Utah (EUA) sobre o estado de saúde de Lais Souza não é nada animadora. Conversei com o doutor Júlio Nardelli, ortopedista e médico da seleção brasileira feminina de vôlei, e ele explicou um pouco sobre a lesão que Lais aparentemente sofreu.

Lais sofreu “um trauma severo na coluna cervical”, segundo o COB. A coluna cervical é a região da coluna vertebral entre a medula (no “meio” da cabeça) e o começo das costas. Um trauma ali afeta diretamente a medula, que fica próxima à primeira vértebra. E é na medula que ficam todos os neurônios motores.

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Segundo Nardelli, quando a medula é afetada acontece a tetraplegia (não mexer braços e pernas), que pode ser momentânea, parcial ou irreversível. São necessárias 24h para se avaliar quão profunda é a lesão. E foi por isso que o primeiro boletim médico só saiu 3h desta quarta-feira. Foi quando completou 24h da cirurgia.

Neste exame testa-se os reflexos do paciente, a partir de uma estimulação nos órgãos sexuais. Se não houver reflexo significa que a paciente ainda está em choque medular. E que qualquer análise é inconclusiva. Se houver reflexo, então o choque já passou e a situação está estabilizada. E que, a falta de movimentação em pernas e braços é, portanto, irreversível.

O boletim médico do COB, entretanto, não tem essa informação. E conversar com o médico brasileiro Antonio Marttos Júnior, que está intercedendo junto aos médicos norte-americanos, é impossível neste momento.

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Um agravante é a informação de que Lais não respira sem auxílio de aparelhos. Isso porque a falta de respiração indica que a lesão é grave e afetou o centro de respiração. Assim, crescem as chances de a lesão ser de um nível alto (C1, C2, C3, C4).

Nas lesões nível C1, C2 e C3, por via de regra (a medicina sempre suporta exceções), o paciente tem apenas movimentos limitados de cabeça e pescoço. E não consegue respirar sem a ajuda mecânica, possivelmente para o resto da vida. No nível C4, tem mais chances de se livrar da respiração ventilatória. Neste tipo de lesão, o paciente consegue locomover uma cadeira de rodas com o queixo, por exemplo. A comunicação também é facilitada.

Lais está sendo tratada no Hospital da Universidade de Utah, pela equipe do neurocirurgião Andrew Daley. Marttos, que é médico do COB, colocou o Hospital da Universidade de Miami à disposição. Ali ele trabalha com Barth Green, médico responsável pela recuperação do ator Christopher Reeve e que é referência mundial neste tipo de tratamento.

A família de Laís, até às 10h30 desta segunda-feira, ainda estava no Brasil. Odete, mãe dela, tentava tirar o visto norte-americano para então viajar, acompanhada de Denise Lessio, fisioterapeuta e amiga de Lais. Tentei conversar com a Denise, mas ela se disse abalada e preferiu não falar. Novamente, pediu muitas orações.

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