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Médico vê sinais de que lesão de Lais não é ‘completa’

Demétrio Vecchioli

06 de fevereiro de 2014 | 16h24

 (Via Agência Estado)

Dez dias depois de Lais Souza sofrer grave acidente enquanto esquiava em Salt Lake City, treinando para os Jogos de Sochi, o médico responsável pelo caso, Antônio Marttos Jr, falou pela primeira vez com a imprensa brasileira baseada no País. Respondendo perguntas feitas por meio de um chat online organizado pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), o profissional indicou que ainda há chances de a ex-ginasta não ficar tetraplégica.

“Não é possível, nesse momento, afirmar qualquer prognóstico sobre o quadro final da Lais. Ainda é muito cedo para dar qualquer prognóstico, mas temos alguns sinais de que a lesão é grave, mas não completa. Reitero que é impossível nesse momento saber como irá evoluir a parte motora”, garantiu o médico.

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Ele, porém, vê com otimismo a possibilidade de Lais voltar a respirar sem a ajuda de aparelhos. “O ponto mais positivo nessa primeira semana foi em relação à parte respiratória. Nesse momento, iniciamos o processo de diminuição do suporte de ventilação mecânica à Lais. Até o momento ela está tolerando bem esse ‘desmame’. Estamos otimistas de que ela sairá do ventilador mecânico”, afirmou.

Marttos Jr revelou que a equipe médica que cuida de Lais chegou a cogitar colocar um marca-passo no diafragma dela, mas que a ideia foi abortada porque a ex-ginasta apresentou sinais de que pode respirar sem a ajuda do ventilador. Ele contou ainda que a atleta sente o local da cirurgia, consegue mover os ombros e tem alguma sensibilidade na parte superior do braço e do tórax.

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O médico elogiou a parte emocional da paciente. “Lais está muito forte mentalmente, se comunica com todos ao redor e só não tem a voz porque está com a traqueostomia, mas sussurra o que quer. Pediu para assistir filmes, escutar músicas e está ciente das manifestações de carinho de todos”, contou. Segundo ele, a memória e consciência de Laís estão “perfeitas”.

Questionado já foi abordado com a ex-ginasta a possibilidade da tetraplegia, Marttos afirmou que: “Lais é muito inteligente, sabe o que está acontecendo. É forte e determinada para enfrentar a situação e este processo que está acontecendo na vida dela.” Ele acrescentou que a esquiadora “está extremamente tranquila, ciente do desafio que tem pela frente”.

Ciente das dificuldades de Laís voltar a ter uma vida normal, porém, o médico avisou que “nosso principal objetivo será proporcionar a melhor qualidade de vida possível. Reintegrá-la à sociedade com um sorriso em seu rosto”.

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Lais, que competiria no esqui aéreo nos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, estava internada desde o último dia 27 de janeiro no Hospital Universitário de Utah, em Salt Lake City, nos Estados Unidos, onde foi submetida a uma cirurgia de realinhamento da terceira vértebra da coluna. Desde o dia seguinte ao acidente ela recebe o acompanhamento de Marttos Jr, que é médico do COB e fica baseado em Miami.

Na quarta-feira ela foi transferida para o Hospital da Universidade de Miami, onde dará continuidade ao processo de recuperação. Las seguiu para Miami em um avião equipado com UTI móvel, acompanhada por Marttos Jr e pela fisioterapeuta Denise Lessio. Já a mãe de Lais, Odete Vieira da Silva Souza, e a gerente de planejamento esportivo do COB, Adriana Behar, seguiram rumo à cidade da Flórida em um voo comercial.

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