As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Ciclismo tem melhora visível, mesmo atrás de Venezuela e Colômbia

Demétrio Vecchioli

30 de março de 2014 | 00h02

O ciclismo fez papel bonito em Santiago. Com quatro de ouro, ficou atrás de Colômbia e Venezuela, países que dominam as provas de pista, disciplina que mais distribui medalhas. Em praticamente todas as provas, porém, ou atingiu o resultado esperado ou o superou. Claro que na pista ainda estamos atrasados, atrás de Colômbia e Venezuela, mas passamos a Argentina. É um passo. No BMX o Brasil já é a segunda potência no masculino, mas só terceira no feminino. No mountain bike, os brasileiros têm hegemonia. Na estrada, a Colômbia é melhor, mas os resultados foram muito bons.

BMX – Única disciplina radical do programa olímpico, o BMX sujeita os atletas a acidentes, que mudam resultados. Foi assim em Santiago, onde o colombiano Carlos Oquendo sofreu uma queda na final. Melhor para Renato Rezende, melhor sul-americano no ranking mundial, que venceu na última pedalada o argentino Federico Villegas, depois de correr atrás a prova inteira e perder dele nas três baterias semifinais. Miguel Dixini, de 19 anos, foi o sexto. Resultado dentro do normal.

No feminino, a colombiana Mariana Pajon é a melhor do mundo. Normal que o ouro fosse dela. A Argentina tem uma atleta em nível acima das melhores brasileiras (Mariana Diaz), então a expectativa era por um bronze, disputado com Maria Gabriela Diaz (Argentina) e Stefany Hernandez (Venezuela), que estão sempre muito perto das brasileiras no ranking mundial. Em Santiago, porém, Bianca Quinalha e Thaynara Morosoni andaram atrás das quatro rivais o tempo todo. Bianca acabou como quinta colocada. O resultado não decepciona, mas existia a chance de uma medalha para o ciclismo.

MOUNTAIN BIKE – Entre os homens, qualquer resultado que não uma vitória de Henrique Avancini seria uma zebra. Favorito, ele não deu chance para o azar e terminou com o ouro, com 14 segundos de folga sobre o segundo colocado, o também brasileiro Rubens Donizete. Melhor, impossível.

Ciclismo – Desempenho

No feminino, Raiza Goulão, de apenas 23 anos, chegou como favorita depois de vencer o Latino-Americano do ano passado. Mas ela caiu, teve a bike danificada, e foi superada pela veterana argentina Agustina Maria Apaza, que está uma posição abaixo dela no ranking mundial. Isabella Lacerda, melhor sul-americana da lista, sofreu uma queda e ainda teve, depois, um pneu furado. Acabou no sexto lugar, apenas. Esperava-se mais das mulheres, ainda que o resultado não chegue a ser digno de crítica.

ESTRADA – No ciclismo de estrada “olímpico”, tudo pode acontecer. As provas são diferentes do que os atletas encontram no calendário internacional: uma de contra-relógio e outra de resistência. Na de velocidade, em que os atletas competem sozinhos, ótimo trabalho. Ouro para Murilo Ferraz, de apenas 22 anos, com enorme vantagem sobre o segundo colocado, e também para a veterana Fernanda Souza (32). Clemilda Fernandes (34) ainda completou em terceiro. Aqui, o desempenho foi perfeito.

Na prova de resistência, porém, fica difícil avaliar o resultado. O Brasil perdeu Rafael Andriato e nem convocou Murilo Fischer, seus principais atletas no masculino. Entre as mulheres, a seleção foi dividida entre Santiago e a Volta da Internacional de Salvador, com Flávia Fernandes, hoje nosso principal nome, indo para a América Central. Aí o resultado coletivo foi ruim.  Willian Chiarello e Janildes Fernandes foram os melhores colocados, terminando com a sexta colocação. Marcia Fernandes, Fernanda Souza, João Gaspar, Cristian Egidio, Armando Camargo e Gideoni Monteiro ainda defenderam o Brasil. A falta de medalhas é decepcionante, mas qualquer julgamento é injusto.

PISTA – Das 10 provas olímpicas, só oito estiveram em Santiago (faltaram omnium e perseguição por equipes no feminino). Devido ao péssimo momento da disciplina no Brasil, qualquer medalha já seria motivo de comemoração. E vieram três, todas de bronze. Se não conseguiu superar os melhores venezuelanos e colombianos, de países com mais tradição na pista, os brasileiros pelo menos deixaram os argentinos para trás. Em nenhuma das disputas o Brasil ficou abaixo do esperado, o que já é um sinal de evolução.

Na velocidade por equipes no masculino, Dieferson Borges, Kacio Fonseca e Flávio Cipriano ficaram atrás de Colômbia e Venezuela, como esperado, mas superaram a Argentina, que tradicionalmente vai melhor.  Flávio Cipriano ainda ganhou bronze na prova individual de velocidade, exatamente atrás dos dois sul-americanos que estão à frente dele no ranking mundial. No Keirin, um argentino e um colombiano ainda se somam a esta lista. Assim, dá para dizer que o Brasil ganhou uma posição ao terminar em quarto com Kacio Fonseca e quinto com Flávio Cipriano. É uma vitória pequena, mas ainda assim uma vitória.

Na perseguição por equipes no masculino (Leandro Alves, Thiago Nardin, Armando da Costa e Gideoni Monteiro) ficaram no quarto lugar esperado. No Omniun, espécie de decatlo do ciclismo, Gideoni Monteiro alcançou um bom quarto lugar. No mínimo, não ficou abaixo do que se esperava.

No feminino o estágio de desenvolvimento é mais baixo no ciclismo. Mesmo assim o Brasil conseguiu um bronze, com a dupla de velocidade (Wellyda Santos e Gabriela Yumi), ambas sub-20. O quarto lugar seria o mais normal, atrás da Argentina. Na prova individual, o esperado: Gabriela em quinto e Wellyda em sexto, atrás de venezuelanas e colombianas. No Keirin, porém, o quarto lugar de Wellyda significa deixar uma venezuelana para trás. Mais uma pequena vitória.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: