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Movimento olímpico entra em crise e judô fica sozinho contra o COI

Demétrio Vecchioli

21 de abril de 2015 | 14h24

O movimento olímpico vive, nas últimas horas, a sua maior crise em décadas. Na tentativa de dar um passo muito maior que perna, o presidente da SportAccord, Marcus Vizer, disparou contra o Comitê Olímpico Internacional (COI), contra o presidente deste, Thomas Bach, e deixou claro que pretende criar um evento para concorrer com os Jogos Olímpicos. Em resposta, 27 federações internacionais de modalidades olímpicas saíram da SportAccord nesta terça-feira. Só restou a de judô, presidida exatamente por Vizer.

Para entender a crise, é importante entender a diferença entre a SportAccord e o COI. O Comitê Olímpico tem como atribuição organizar eventos mundiais envolvendo um número restrito de modalidades: as Olimpíadas de Verão e Inverno, agora também na versão “da Juventude”. No órgão, cada federação tem a atribuição de determinar as regras da modalidade e difundir, perante seus praticantes, o espírito olímpico. Nada mais do que isso.

A SportAccord, por outro lado, é quase um sindicato. Uma associação que reúne as federações internacionais de modalidade sejam elas olímpicas ou não, e diversos outros atores do esporte internacional, como os organizadores dos Jogos Pan-Americanos e Asiáticos e sindicatos de trabalhadores ligados ao esporte. Seu principal papel é representar os interesses coletivos dessas federações, inclusive perante o COI, mas também coordenar ações para a promoção do esporte.

O Brasil chegou a lançar candidatura para receber a 14.ª Assembleia Anual da SportAccord, mas Sochi (Rússia) venceu a disputa. Na abertura do congresso, na segunda, Vizer perdeu a linha. Disparou contra o COI e contra Bach. Eleito em dezembro passado, o dirigente do judô foi acusado de usar a SportAccord de trampolim eleitoral para um dia chegar à presidente do COI.

O posicionamento pegou tão mal que as demais 27 federações olímpicas de verão e as ligadas ao desporto paralímpico já se retiraram da SportAccord nesta terça-feira. Sem elas, fica praticamente impossível para a entidade continuar organizando os Jogos Mundial de Combate e os Jogos Mundiais de Praia. Com planos de setorização, a SportAccord pretendia promover Jogos Mundiais como o Artístico e o “da Mente”.

O maior erro de Vizer foi, ao mesmo tempo, criticar o COI e lançar a ideia de reunir, em um só local, os Campeonatos Mundiais de cada esporte. Não é preciso ir muito longe para entender a proposta de um concorrente da Olimpíada. O dirigente achou que era mais forte do que realmente é. Entrou num cabo de guerra contra a entidade esportiva mais forte e mais sólida do planeta. Caiu de cara no chão e viu a SportAccord ruir.

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