Mundial mostra: se ginástica masculina avança, a feminina regride
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Mundial mostra: se ginástica masculina avança, a feminina regride

Demétrio Vecchioli

06 de outubro de 2014 | 13h10

O Mundial de Nanning (China) só comprova uma sensação que já era sentida nos últimos dois anos: a ginástica masculina evoluiu enormemente, enquanto a feminina caminha para trás. Se o time masculino garantiu final por equipes e mais cinco finais individuais, as meninas ficaram longe, muito longe, de disputar uma decisão. Estão eliminadas do Mundial com a pior campanha desde que Daniele Hypolito surgiu.

Daniele, aliás, é reflexo desse andar para trás da equipe feminina. Com 30 anos, segue sendo a melhor do País no individual geral. Em Nanning, fez 53.399 pontos para terminar numa frustrante 34.ª colocação. É muito pouco para a ginástica brasileira, que não tinha muito para onde correr na China. A equipe de Mariana Oliveira, Julie Kim Sinmon, Letícia Costa, Isabelle Cruz e Maria Cecília Cruz é o que tínhamos de melhor. E o melhor é contar com atletas com Letícia, que somou 51.124 pontos competindo nos quatro aparelhos.

Tudo teria sido melhor se Jade Barbosa não tivesse se machucado. Ela faria final em no mínimo um aparelho (salto, com chance de medalha) e no individual geral. Mas não dá para dizer que uma modalidade é evoluída se ela depende 100% de uma atleta. No ano que vem, as coisas vão melhorar, com Rebecca Andrade e Flávia Saraiva chegando à categoria adulta, mas são só dois nomes. Se uma delas se machucar, o Brasil terá problemas para se garantir na Olimpíada.

Vejamos: o Brasil somou 211.621 pontos por equipes, em 16.º. A oitava colocada foi a Austrália, com 218.134. Uma diferença de 6.500 pontos para tirar até o Mundial do ano que vem, pré-Olímpico. Com Jade, Rebecca e Flávia será tranquilo (todas podem fazer em torno de 55.000). Só com duas delas, a conta ficará bem apertada.

No masculino, está tudo tranquilo. O Brasil vai com equipe à Olimpíada. Foi sétimo na fase de classificação em Nanning e tem margem para crescer na final de logo mais. No Mundial do ano que vem, ainda deverá contar com Ângelo Assumpção (primeiro ano no adulto), Caio Souza e Pétrix Barbosa (cortados por lesão). São nove atletas de alto nível brigando por seis vagas. Ainda que ocorram lesões, há uma margem. E a competitividade interna, lógico, faz os atletas serem melhores a cada dia. No feminino, internamente, o momento parece ser de acomodação. “O resultado foi bom, estamos satisfeitos”, disse Daniele.

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