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Natação mostra que, às vezes, bronze vale mais que ouro

Demétrio Vecchioli

14 de julho de 2015 | 23h30

Desde que os Jogos Pan-Americanos começaram a ganhar ampla cobertura da mídia (em 1999), é sempre a mesma história. Os críticos reclamam que o Brasil ganha uma enxurrada de medalhas, mas, um ano depois, chega à Olimpíada e não “decepciona”. Isso acontece porque, na hora de comemorar medalhas, mutas vezes deixamos de observar o referencial.

Vejamos o revezamento 4×100 metros livre, prova da natação. O time masculino ganhou medalha de ouro, deixando para trás Canadá e Estados Unidos. Já as mulheres terminaram em terceiro, atrás de Canadá e Estados Unidos. Qual equipe foi melhor?

Sem dúvida nenhuma, as mulheres. Pois, vejamos. Elas completaram a prova (em terceiro) em 3min37s39. Baixaram em cerca de quatro segundos o recorde sul-americano, que era dessa mesma geração e durava desde 2013. Nadaram o melhor que pudiam e muito melhor do que o esperado.

Com esse tempo, seriam sextas colocadas em um Mundial na qual terminaram em 11.º. O quinto lugar, na ocasião, foi o Canadá, à época com recorde nacional – superado nesta terça-feira. Pelo que fez em Toronto, o Brasil é o sexto melhor do mundo.

Agora vejamos o time masculino. Com 3min13s66, teve resultado um pouco melhor do que do Mundial passado, quando decepcionou em sétimo. Com essa marca, teria sido o sexto melhor do mundo. Assim como as mulheres.

 

A diferença é só o referencial.  Enquanto elas deram o máximo e atingiram um patamar inédito para a natação nacional, eles ficaram longe do melhor que podem fazer. E isso vale para todas as provas do dia. Joanna Maranhão bateu o recorde sul-americano dos 200m medley (superou a Joanna Maranhão de 2009, que usava trajes tecnológicos), enquanto Larissa Oliveira nadou, em uma hora, duas vezes abaixo do antigo recorde continental, também datado de 2009.

A natação feminina do Brasil era terceira força do Pan e continua sendo terceira força do Pan. Mas é cada vez mais forte. Isso vai ficar claro no  Mundial. Só não dá para cobrar medalha olímpica de quem nunca ganhou um ouro pan-americano.

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