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Norte-americano cai na 1.ª luta de um cego em Mundiais de Judô

Demétrio Vecchioli

31 de agosto de 2013 | 12h00

O norte-americano Myles Porter, que é parcialmente cego, escreveu na manhã deste sábado mais uma página na história do esporte. O atleta da categoria até 100kg, eliminado na primeira luta no Maracanãzinho pelo uruguaio Manuel Bueno, se tornou o primeiro atleta paraolímpico a participar de uma edição do Mundial de Judô.

Porter começou a praticar a arte marcial em 2007 e no ano seguinte já estava nos Jogos Paralímpicos de Pequim. Em 2012, foi prata na categoria até 100kg em Londres. Determinado, o atleta de 28 anos ganhou da Confederação de Judô dos EUA (USA Judo) a chance de realizar um sonho.

“Eu quero estar nos Jogos Olímpicos e nos Jogos Paralímpicos no mesmo ano, em 2016. E nada melhor do que começar essa trajetória aqui no Rio”, diz o norte-americano.

De acordo com levantamento da USA Judo, se conseguir sua meta, Porter será o primeiro atleta a alcançar tal feito no judô – outros dois atletas já participaram de Olimpíada e de Paralimpíada, mas ambos perderam a visão após competirem entre atletas sem deficiência.

Porter é legalmente cego por conta de um albinismo ocular. Ele consegue, com dificuldade, enxergar o que está a menos de um metro dele. Num tatame, no início de uma luta, por exemplo, quando os atletas ficam afastados por cerca de seis metros, ele não vê o adversário.

Essa é, segundo Porter, uma das diferenças entre lutar com cegos e com atletas sem deficiência. “No judô para cegos, os judocas já iniciam no golpe (o árbitro os puxa pela mão e os coloca frente a frente). Aqui, ficam separados. Além disso, a luta é bem mais rápida aqui, os golpes são mais rápidos”, explica o norte-americano.

De acordo com ele, seu técnico precisa sempre avisar quando o rival se aproxima. Só aí ele estica o braço para tentar pegar no quimono rival e acertar o golpe. Apesar de todas as dificuldades, Porter acredita que pode ajudar a ampliar a acessibilidade ao esporte: “Quero todos vejam que qualquer um pode praticar esporte.”

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