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O esporte agradece aos manifestantes do Leblon: o Julio Delamare não será demolido

Demétrio Vecchioli

30 de julho de 2013 | 18h57

Manifestantes seguem acampados na frente do prédio de Sergio Cabral

Manifestantes seguem acampados na frente do prédio de Sergio Cabral

Confesso que não concordo com a postura de fazer manifestação na frente da casa de um político. Acho que o governante é prefeito/governador/presidente enquanto está no palácio, despachando, ou em eventos oficiais. Do portão da casa para dentro, é um cidadão comum que merece respeito e paz.

A sorte dos esportes aquáticos e do atletismo brasileiro é que tem muita gente que não concorda comigo. Afinal, têm enorme relação as pessoas que acampam na frente do prédio do governador do Rio, Sergio Cabral, e a abrupta decisão deste de assumir publicamente que errou e decidir não demolir o Parque Aquático Julio Delamare e não terminar de pôr abaixo o Estádio de Atletismo Célio de Barros.

Obviamente a opção do governador é populista. Não foi a mão do papa que tocou o coração do cacique do PMDB. E também é claro que não foram 15, 20 ou 100 pessoas (os manifestantes do Leblon) que, sozinhos, fizeram Cabral mudar de ideia.

O processo todo começa com os protestos de junho, que reuniram milhares (senão milhões) de pessoas nas ruas da cidade. E que acabaram com o que havia sobrado de reputação do governador reeleito – que precisa fazer Pezão seu sucessor.

Precisando recuperar a imagem (e “limpar” a frente da sua casa), o governador aproveitou o bom momento da natação para ter a ideia genial a popular: desistir da demolição do Julio Delamare (pra quem não sabe, mas aposto que todo mundo sabe, o Parque Aquático, reformado há pouco tempo, seria demolido para dar lugar a estacionamentos para o Maracanã).

Afinal, queria aproveitar a corrente para ficar bem na fita. O risco era um Cesar Cielo da vida ser campeão e esculachar ainda mais o governador diante das câmaras. A natação está na TV agora. O atletismo entre daqui 10 dias.

Afinal, não foi à toa que o governador ligou pessoalmente ao presidente da CBDA, Coaracy Nunes,  que até achou que era trote (por falar em trote, você já leu o que o Coaracy falou pro Eduardo Fisher??). “Tomei um susto, pensei que era trote. Ele me disse que está revendo a situação e que não vai fazer nada sem o meu consentimento”, disse o cartola, à Folha.

O triste, nesta história toda, é ver que a voz do esporte não foi ouvida. A CBAt fez de tudo para impedir a demolição do ultrapassado Célio de Barros e não conseguiu. A CBDA tentou organizar diversos protestos, sem êxito. Não deu quórum, não deu mídia. Menos mal que, por outros meios e outros motivos, Sergio Cabral parece ter mudado de ideia. O esporte agradece.

 

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