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O que esperar do Brasil no Mundial de Atletismo

Demétrio Vecchioli

21 de agosto de 2015 | 00h06

O Mundial de Atletismo começa hoje à noite e, antes mesmo do primeiro tiro de largada, a discussão já é: “De quem será a culpa em caso de uma eventual decepção?”. E a resposta começa pela análise do que significa essa “decepção”. No dicionário, está lá que é uma “surpresa desagradável”. Se por ventura o Brasil não conquistar nenhuma medalha, entretanto, não será nenhuma surpresa. Logo, é impossível a delegação decepcionar.

É necessário entender, de cara, que o atletismo brasileiro está num patamar muito diferente da natação. Nas piscinas, três nadadores são sempre favoritos a medalha (Cielo, Fratus e Thiago Pereira) e pelo menos mais cinco chegaram a Kazan com expectativa de pódio. Um resultado ruim qualitativamente contrastaria com esse bom momento vivido pela natação brasileira. A grosso modo, a culpa seria do atleta.

Da mesma forma, um resultado ruim no Mundial de Atletismo, que pode ser expresso em falta de medalhas, é na verdade um reflexo do momento ruim vivido pelo modalidade. E aí, a culpa é do dirigente, é do treinador. O atletismo brasileiro evoluiu nos últimos oito anos, mas muito aquém do que poderia e deveria. Afinal, a realidade é que não falta dinheiro.

O Brasil começa a disputa do Mundial, hoje, com não mais do que quatro possibilidades de pódio: Fabiana Murer, Thiago Braz (salto com vara), Solonei Rocha e o revezamento 4x100m masculino. É óbvio que é pouco, mas já é um cenário melhor do que no Mundial passado, quando era duas chances reais.

A federação internacional (IAAF) usa um método muito interessante, paralelo ao quadro de medalhas, que é o placing table. Dá-se oito pontos para o campeão de cada prova, sete para o segundo colocado, seis para o terceiro… de forma com que todos os finalistas (ou oito primeiros, no caso de provas de tiro único) pontuem.

O Brasil vem numa crescente desde 2009 (26.º, 13 pontos, cinco finais). Foi melhor em 2011 (21.º, 14 pontos, quatro finais) e depois ainda melhor em 2013 (19.º, 19 pontos, sete finais). Se conseguir mais uma vez evoluir, ainda que pouco, já não vai caber de forma alguma qualquer análise que inclua “fracasso” ou “decepção”.

Fazer sete finais é possível, ainda que o Brasil tenha perdido duas boas oportunidades nos revezamentos 4x400m feminino (nem vai competir em Pequim depois que Joelma das Neves se machucou), 4x100m feminino (perde força sem Ana Cláudia Lemos) e 4x400m masculino (perde muita força sem Anderson Henriques). Ana Cláudia, Anderson e Marilson, por lesão, também são oportunidades que escapam pelo ralo.

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