Ouro de Daniele Hypolito é sintoma do péssimo momento da ginástica feminina
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Ouro de Daniele Hypolito é sintoma do péssimo momento da ginástica feminina

Demétrio Vecchioli

12 de março de 2014 | 03h54

Se em 1998 Daniele Hypolito tivesse ganhado medalha de ouro no solo nos Jogos Sul-Americanos de Cuenca (Equador), teria sido motivo de comemoração para o esporte brasileiro. Em 2014, dezesseis anos depois, o ouro dela na edição de Santiago (Chile), conquistado nesta terça-feira, é só um sintoma do péssimo momento vivido pela ginástica artística brasileira.

Se o que temos de melhor é Daniele Hypolito, de 29 anos, já no seu quinto ciclo olímpico, é porque falhamos no desenvolvimento de atletas pelo menos nas duas gerações anteriores. Exceção a Jade Barbosa (22 anos, terceiro ciclo olímpico), não temos nenhuma ginasta em condições de disputar grandes eventos. O pessoal da idade da Jade se machucou e abandonou a ginástica, o último ciclo foi perdido e a nova geração ainda não mostrou a que veio.

No segundo ano na categoria adulta, Julie Kim Sinmon até fez bronze no individual geral (por falta de rivais), mas foi última colocada na trave, única final para a qual se classificou. Isabelle Cruz, outra que subiu ano passado, ganhou bronze no salto e foi quarta nas barras assimétricas. Já Lorrane dos Santos, 15 anos, na primeira temporada como adulta, não passou para nenhuma final, mesma situação de Juliana Santos, 23 anos.

No masculino o cenário é um bem melhor, apesar dos tropeços em Santiago. Depois de perder o ouro no individual geral para o colombiano Jossimar Calvo, Sergio Sasaki se recuperou. Dividiu o ouro com o ótimo Thomas Gonzalez (Chile) no salto e ficou com o título sozinho na barra fixa. Pericles Silva ainda ganhou bronze nas barras paralelas.

JUDÔ – O primeiro dia do judô foi bom para o Brasil. Soberania tem que ser provada no tatame e foi assim que aconteceu. Das três categorias em jogo, duas de ouro, com Breno Alves (60kg) e a novata Jéssica Pereira (52kg). Ambos são terceiro reserva da seleção. Ela, vice-campeã mundial júnior, precisa de “casca” e ganhou mais um pouco em Santiago. Na até 48kg, derrota de Gabriela Chibana para Paula Pareto, da Argentina, medalhista de bronze em Londres. Ou seja: normal. Depois, Gabriela ficou com o bronze.

CICLISMO PISTA – Não é segredo para ninguém o atraso do Brasil. No primeiro dia da disciplina em Santiago, bronze na velocidade por equipes, com Dieferson Borges, Flávio Cipriano e Kacio Fonseca.

HIPISMO – Excelente resultado de João Victor Oliva, o filho da Hortência. Aos 18 anos, competiu como gente grande para vencer o adestramento com bons 70,78% de aproveitamento. O pódio, todo brasileiro, ainda teve João Paulo dos Santos e Leandro Aparecido da Silva. Pia Aragão foi só a oitava.

COLETIVOS – Diferente do vôlei, que já aceitou faz tempo que é muito melhor que os rivais regionais e disputa Sul-Americano com time júnior, o handebol não tem dó. Mandou 11 campeãs mundiais para Santiago e venceu o Paraguai, nesta terça, por 35 a 8. O Hóquei sobre grama, ainda atrasado, perdeu no masculino para a Argentina, por 6 a 1.

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