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Pedido de Dilma é rejeitado e classe Star fica fora do Rio/2016

Demétrio Vecchioli

06 de fevereiro de 2014 | 12h29

A ISAF (Federação Internacional de Vela) divulgou há pouco os critérios de classificação para os Jogos Olímpicos do Rio/2016 e a classe Star está mesmo de fora da Olimpíada Carioca. De nada adiantou o pedido feito pela presidente Dilma Rousseff e toda a barulheira da comunidade internacional da mais tradicional classe da vela.

Prevaleceu o bom senso durante a reunião do Comitê Executivo do Comitê Olímpico Internacional (COI), que está acontecendo em Sochi. Assim, as classes olímpicas serão mesmo aquelas que haviam sido definidas pela ISAF que, certa ou errada, tem total autonomia nessa decisão. Como comentei há algumas semanas, o Brasil não precisava burlar regras para trazer a Star de volta à Olimpíada.

De acordo com a revista irlandesa AFloat, especializada em iatismo, o governo brasileiro se esforçou pela volta da Star durante os últimos meses. A revista diz ter tido acesso a um documento de 16 de janeiro, emitido pelo Itamaraty, em que se pedia que o COI revisse sua posição sobre a Star, alegando que o Brasil ganhou seis de suas 18 medalhas olímpicas na vela exatamente nessa classe. A diplomacia brasileira ainda pedia ajuda de outros países nesse pleito.

É óbvio que a Star, classe mais popular do mundo, presente nos Jogos desde 1932, precisa voltar a ser disputada numa Olimpíada. Mas já era tarde demais para incluí-la nos Jogos do Rio. Seria uma medida absolutamente populista, que visaria majoritariamente beneficiar o Brasil, que tem na Star sua maior fonte de medalhas nas raias. E isso vai contra todo o espírito olímpico.

Foi a Isaf (Federação Internacional de Vela) quem decidiu pela exclusão da Star, porque ela não faz parte dos planos da modalidade. Os barcos de quilha exigem menos do físico e, por isso, dão espaço para que veteranos superem os mais jovens na base da técnica mesmo. Por outro lado, classes como a 49er  e a 470 atraem cada vez mais jovens. É a sobrevivência da vela, na visão da Isaf.

Podemos concordar ou não, mas foi uma decisão tomada por um colegiado do órgão máximo da vela. E isso não poderia ser mudado pela simples vontade do Brasil de ter mais um barco competitivo para cumprir a meta de terminar os Jogos do Rio no top10 do quadro de medalhas. Esporte é muito mais do que isso.

CLASSES – O Brasil já tem um atleta garantido em cada classe, que são: RS:X, Laser, 470 e 49er tanto no masculino quanto no feminino (entre as mulheres os nomes oficiais são Laser Radial e 49er FX), a Finn só no feminino e a Nacra 17, estreante, como classe mista, obrigatoriamente de um homem e uma mulher.

Se a Olimpíada fosse hoje, o Brasil teria Patrícia Freitas, Bimba, Robert Scheidt, Jorge Zarif e Martine Grael absolutamente garantidos no Rio. Com eles, dá pra acreditar em três ou quatro medalhas.

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