As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Pedro Cunha pede demissão do COB e reestreia no evento-teste do vôlei de praia

Demétrio Vecchioli

26 de agosto de 2015 | 17h04

O Comitê Olímpico do Brasil (COB) tem um programa para ajudar na transição dos atletas que, ao fim da carreira esportiva, querem mudar de lado do balcão para se tornarem dirigentes. Pedro Cunha, que já passou por esse processo, resolveu inverter a ordem das coisas. Pediu demissão do COB e, na semana que vem, reestreia no Circuito Mundial de Vôlei de Praia disputando o evento-teste da Olimpíada, no Rio.

“Eu estava trabalhando no COB e vi um pouco da minha situação lá, meu futuro. Também a situação atual do vôlei de praia brasileiro e mundial, e considerei a minha saudade também. Aquilo que sempre gostei, de jogar, viajar. Acabei sentando, ponderando, e vi que seria uma boa oportunidade de voltar agora. Não poderia deixar passar”, conta ele.

O carioca disputou os Jogos Olímpicos de Londres em parceria com Ricardo e surpreendeu ao anunciar sua aposentadoria em fevereiro de 2013, aos 29 anos. À época, disse que estava desmotivado. “Não tenho mais aquele prazer de entrar em quadra, de treinar, de competir”, garantiu na ocasião.

Entrou no Programa de Apoio ao Atleta (PAA) do COB e logo arranjou um emprego no comitê. Trabalhava na gestão, junto às confederações, dos repasses da Lei Piva. No cargo, descobriu que “o buraco é muito mais embaixo”. “A política influencia muito. A gente tentava beneficiar os atletas diretamente, para não ficarem a mercê dessa questão política.”

Depois de um ano e meio sem tocar em uma bola de vôlei de praia, Pedro Cunha passou a jogar umas “peladas” com os amigos das areias cariocas e foi retomando o gosto pela coisa. Há cerca de dois meses, anunciou sua decisão aos chefes, os também ex-jogadores de vôlei Marcus Vinicius Freire e Adriana Behar. “Eles ficaram felizes com a minha decisão. A Adriana disse que faria a mesma coisa se tivesse minha idade.”

O segundo passo foi encontrar um técnico – Leandro Pinheiro. O terceiro, um parceiro – Allison Cittadin, 21 anos, campeão mundial sub-21 em 2013 e bronze no sub-23 na temporada passada. Alisson havia acabado de desfazer a parceria com Guto, que vinha desde o início da carreira, e também era treinado por Leandro.

A reestreia em eventos oficiais aconteceu na etapa de abertura do Circuito Nacional de Vôlei de Praia – uma espécie de segunda divisão brasileira. A dupla saiu do qualifying para ser vice-campeã. O indiscutível talento dos dois motivou os organizadores do Open do Rio a conceder a eles um convite para a chave principal da competição, na semana que vem.

A ideia de Pedro Cunha é mostrar serviço e entrar nas últimas seis etapas do nível Open que serão jogadas ainda este ano. Ele não esconde que o dinheiro distribuído atualmente nos circuitos (tanto brasileiro quanto o internacional) serviu de incentivo para a volta ao esporte.

“A premiação aumentou muito desde que me afastei. O dólar aumentou muito. Isso foi um atrativo”, admite Pedro. Sem patrocinador, ele e Allison buscam apoio, mas admitem usar reservas financeiras para financiar a ida às primeiras competições. O título de um Open vale US$ 11 mil para a dupla. O mesmo valor é pago a quem chegar às oitavas de final de um Grand Slam.

Mas há, também, a motivação esportiva. Como a corrida olímpica brasileira acaba no Open do Rio, Pedro Cunha não tem chance de jogar os Jogos de 2016. Mas acredita que tem totais condições de estar em Tóquio. “2020 é o meu objetivo a longo prazo. Vou estar com 37 anos. Joguei com o Ricardo em Londres, ele tinha 38. Se eu me cuidar, tiver paciência, acho que chego lá sim.”

Tudo o que sabemos sobre:

vôlei de praia

Tendências: