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Portela fica sem medalha, mas avisa que pódio virá em 2016

Demétrio Vecchioli

30 de agosto de 2013 | 19h23

Eliminada na repescagem da categoria até 70kg no Mundial do Rio, Maria Portela pede que fique anotado: ela vai estar no pódio nos Jogos Olímpicos de 2016. “Eu vou ganhar medalha. Vocês podem ter certeza. Pode anotar aí. Eu vou subir no pódio”, prometeu a judoca brasileira, após competir na tarde desta sexta-feira, no Maracanãzinho.

Maria Portela fez suas quatro lutas no Mundial no tatame 3, a poucos metros da torcida formada pelo namorado, mãe, padrinho, técnico e companheiros de clube na Sogipa. Depois da derrota na repescagem, parou para conversar com sua sparing nos treinos em Porto Alegre. Ao chegar na área de entrevista, se abaixou e desabou em choro.

Consolada por uma produtora do SporTV, demorou quase 10 minutos para se recompor. Quando levantou, não abaixou mais a cabeça. A ponto de terminar a conversa com os repórteres batendo no peito (literalmente). “O Flávio Canto diz que o homem é do tamanho dos seus sonhos. Eu sou baixinha (1,56 metro), mas, por dentro, sou uma gigante”, disse a mais baixa das judocas inscritas na categoria até 70kg no Mundial, quando perguntada se pensava em mudar para um peso menor.

Num discurso muito maduro, de quem parecia ter absorvido bem a derrota, Maria Portela garantiu que está no caminho certo. “Eu não fracassei. Não perdi para qualquer adversária. Eu estava preparada para subir ao pódio. Estava bem fisicamente, psicologicamente, focada. Não saio como derrotada. É só o primeiro ano do ciclo olímpico”, apontou.

Ela foi derrotada pela bicampeã mundial e atual campeã olímpica Lucie Decosse, um dos grandes nomes do judô na atualidade. A francesa tem uma legião de fãs e veio com torcida organizada ao Rio. Apesar do currículo da rival de 32 anos, que está se aposentando agora, Maria Portela encarou uma luta de incríveis 8min52. Foram cinco minutos regulamentares, que terminaram empatados, e mais quase quatro minutos de golden score (prorrogação). A luta foi arrastada e decidida num erro da brasileira, que permitiu o ippon.

“Foi um erro tático. Troquei a base e ela bateu. Com os recursos que temos hoje, todo mundo se conhece. Assim como eu a estudei, ela também me estudou”, justificou a brasileira. Mesmo assim, ela saiu satisfeita com a luta que fez diante da francesa de tamanho calibre. “Eu mostrei que eu consigo, até pela experiência que ela (Lucie Decosse) tem. Ela não é invencível. É por isso que eu amo o judô”, disse Maria Portela.

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