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Prefeitura de SP pretende cortar patrocínios a eventos esportivos que ‘se pagam’

Demétrio Vecchioli

26 de junho de 2013 | 23h40

Mesa de debates no Museu do Futebol

Mesa de debates no Museu do Futebol

O Museu do Futebol recebeu nesta quarta-feira pela manhã um evento em que o relatório final do projeto Cidades da Copa, da ONG Instituto Esporte Educação, foi entregue à prefeitura de São Paulo, a última das cinco cidades do Sul/Sudeste contemplada pela iniciativa que visa criar um verdadeiro legal social/esportivo/educacional nas cidades sedes da Copa.

No evento, que contou com a presença de Raí, Mauro Silva, Ida e Ana Mozer (esta última a idealizadora do projeto), teve a entrega formal do documento à prefeitura, representada lá pela vice-prefeita Nádia Campeão (PC do B). Um resumo do texto foi lido, com uma lista de cinco objetivos e algumas metas diretamente relacionadas a eles.

Nada muito surpreendente até que  um dos itens sugeriu: 20% do orçamento da secretaria municipal de Esporte e Lazer para o esporte de alto rendimento e 80% para o fomento do esporte. De cara, achei um exagero (e continuo achando). Mas, em seguida, o discurso da vice-prefeita me surpreendeu.

Ela citou nominalmente as vindas de Roger Federer e Rafael Nadal para São Paulo ao dizer que a prefeitura, na gestão Haddad, vai  ter uma política esportiva diferente da vista durante o governo Kassab. Dinheiro, só para quem precisa do fomento municipal. Eventos que se bancam, com venda de ingressos e cotas de patrocínio, não precisam do dinheiro público.

Por mais que ela tenha alegado que a escolha por essa política havia sido tomada já no início da gestão (mantendo uma postura que ela, Nádia, teve como secretária de esportes no Governo Marta), houve também, na fala da vice-prefeita, um indicativo de que as cobranças contra a Copa, vindas das ruas, incentivaram essa mudança de política.

Menos dinheiro público para eventos que se bancam sozinho é um pleito recorrente não apenas na área esportiva. A Lei de Incentivo à Cultura mesmo abre espaço para aberrações que vira a mexe aparecem na imprensa – mas principalmente nas mídias sociais. Um show do Roberto Carlos não precisa de fomento público, pode gerar lucro sozinho. Um show do UFC também não.

Depois do evento, conversei com a Nádia Campeão e a fala dela foi no sentido que coloquei acima: se eventos de corrida de rua no centro se bancam sozinho e abrem espaço para corridas na periferia receberem aporte financeiro da prefeitura, o mesmo pode acontecer com outros eventos.

Perguntei sobre o UFC e sobre o Brasil Open de Tênis. Ela não quis responder pontualmente se ambos correm o risco de não acontecer mais em São Paulo, mas indicou que a proposta do governo municipal agora é outra: realizar um evento na capital paulista é sinônimo de mídia, de público, e de sucesso. A prefeitura não oferece dinheiro, mas ajuda com organização de trânsito e limpeza, por exemplo. Dá suporte.

O último grande evento internacional de esporte olímpico que aconteceu em São Paulo foi o Mundial de Handebol, em 2011. A competição não se pagou e até hoje a Confederação Brasileira deve para a Federação Internacional.

Não que eu seja contra a vinda de grandes eventos para o Brasil, pelo contrário. Mas acho que muitas coisas devem ser ponderadas.

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