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Preocupação de Isaquias é com o dinheiro público, não com salário

Demétrio Vecchioli

04 de setembro de 2015 | 13h19

Inicialmente, foi difícil entender a reclamação de Isaquias Queiroz e dos demais membros da seleção brasileira de canoa da canoagem velocidade. O multimedalhista mundial e outros três atletas resolveram boicotar o evento-teste da modalidade reclamando que não estão recebendo os salários prometidos pelo BNDES, patrocinador da Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa). O Comitê Olímpico do Brasil (COB) é quem está fazendo os repasses.

O argumento do presidente da CBCa, João Tomasini (a incríveis 25 anos no cargo), é que os atletas não estão sem receber. Os pagamentos foram feitos religiosamente. A diferença é que quem pagou não foi o BNDES, mas o COB. O bolso dos atletas não foi impactado.

É verdade, o bolso dos atletas não foi, mas do esporte brasileiro sim. Em um momento de crise econômica, Comitê Olímpico do Brasil (COB) está tirando dinheiro que poderia ir para outras modalidades, outros projetos, outros atletas, para arcar com despesas que deveriam estar sendo honradas pelo BNDES.

Enquanto isso, o banco não tira um centavo do bolso e, mesmo assim, tem sua marca exposta toda vez que Isaquias Queiroz conquista um grande resultado (ele ganhou um ouro e um bronze no Mundial). Se quem sustenta a seleção masculina de canoa é o COB (com recursos da Lei Piva e de patrocinadores) e a Petrobras (patrocinadora pessoal de Isaquias), não há por quê expor a logomarca do BNDES, muito menos com exclusividade.

Nos acostumamos a aceitar apenas as lamentações de atletas por falta de dinheiro ou estrutura. Não é o caso. Mas não é por isso que a reclamação de Isaquias é menos justa. Também é interesse nosso (imprensa, cidadãos), que os recursos públicos sejam empregados corretamente.

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