As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Quinto lugar no Mundial de Tênis de Mesa vale como ouro para o Brasil

Demétrio Vecchioli

30 de abril de 2015 | 02h58

Cazuo Matsumoto e Thiago Monteiro bateram na trave, mas não conseguiram alcançar uma inédita medalha no Mundial de Tênis de Mesa. A dupla brasileira só foi derrotada no sétimo e decisivo set das quartas de final da chave masculina de duplas em Suzhou (China), na madrugada desta quinta-feira . Os brasileiros perderam por 4 sets a 3 para Sangsu Lee e Hyundeok Seo, da Coreia do Sul, depois de chegarem a abrir 2 a 1 no jogo.

Para se ter uma ideia do feito, esta é apenas a segunda vez que o Brasil chega às quartas de final de um Mundial, repetindo um feito de 1954, também em duplas masculinas. Para comparação: Hugo Hoyama, o maior mesa-tenista da história do País, disputou 14 Mundiais durante a carreira. Uma única vez chegou à fase anterior à de oitavas de final. Isso contando simples e duplas. Ou seja, em 28 participações. Em Suzhou, o Brasil ainda foi com Gustavo Tsuboi/Hugo Calderano às oitavas de final.

É verdade que a competição em duplas não valha medalha no programa olímpico, ainda esteja na disputa por equipes. Também é fato que só dois brasileiros avançaram da primeira rodada (round 128) na chave de simples, e ambos perderam na segunda fase. No feminino, três jogos e três derrotas.

A conquista desta semana, (com o perdão do clichê), entretanto, é mais um tijolinho na construção de uma base sólida para o desenvolvimento da modalidade no País. Só neste ciclo olímpico, o Brasil já obteve os seguintes feitos inéditos:

– primeiro título latino fora das Américas (Cazuo Matsumoto, em 2013, na Espanha);
– mais jovem campeão de uma etapa do Circuito Mundial (Hugo Calderano, campeão em Santos, em 2013);
– melhor resultado de atletas das Américas em uma etapa do mais alto nível do Circuito Mundial (Calderano/Tsuboi, vice em duplas em Doha, este ano);
– medalha de bronze de Hugo Calderano nos Jogos Olímpicos da Juventude (ano passado);
– acesso inédito para a primeira divisão do Mundial Feminino de Tênis de Mesa (ano passado);
– vitória de um atleta de 18 anos sobre um ex-número 1 do mundo (Calderano sobre o alemão Timo Boll, então nono do ranking, ano passado)

Passou o tempo em que o tênis de mesa do Brasil se contentava com medalhas nos Jogos Pan-Americanos. Esses estágio foi superado. Agora, Calderano, Tsuboi, Cazuo, Carol, Gui Lin, Bruna, Massao e outros vão atrás de novos vôos. Eles terão que se acostumar a perder. Ainda vão conhecer muitas derrotas. Quem se acostumou com o ouro (do Pan) talvez ache pouco o quinto lugar (do Mundial). Mas de tijolinho em tijolinho, o Brasil vai se tornando relevante no cenário internacional. Quando forem ver, não terá mais volta.