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Racha entre técnicos do salto com vara fica evidente no Troféu Brasil

Demétrio Vecchioli

16 de maio de 2015 | 09h00

Não havia como esconder que o clima estava pesado na final masculina do salto com vara do Troféu Brasil, sexta à noite, em São Bernardo do Campo (SP). A relação sempre amistosa entre os três melhores do País não existe mais. A decisão de Thiago Braz, campeão mundial juvenil, de assumir o ucraniano Vitaly Petrov como seu treinador não repercutiu nada bem entre o ex-técnico, Elson Miranda, e seus ex-companheiros de equipe na BM&F Bovespa, Augusto Dutra e Fábio Gomes.

“Estou magoado, claro. Você investe numa pessoa, identifica como talento, investe tempo. Eu tinha um sonho de chegar com três atletas na Olimpíada, buscar medalha. Não tem como não estar magoado”, diz Elson Miranda, treinador de todos os ótimos nomes do salto com vara brasileiro.

Há 10 anos, quando era um atleta recém-aposentado, Elson foi atrás de Petrov, reconhecidamente o melhor do mundo. Atleta até então mediana, Fabiana Murer (hoje esposa de Elson), evoluiu a ponto de se tornar campeã mundial.

A relação entre os dois treinadores, entretanto, azedou com o tempo. Elson trilhou seu próprio caminho e nem sempre concordava com as decisões de Petrov. O rompimento definitivo veio quando Thiago Braz, campeão mundial juvenil, seguiu as orientações do ucraniano, ignorando as instruções do brasileiro, errou um salto e se machucou. Elson rompeu a parceria de 10 anos.

O garoto, entretanto, preferiu ficar ao lado de Petrov. Negociou com o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e se mudou de mala e cuia para Fórmia, na Itália, onde fica a base de treinamento do ucraniano. Avisou Elson só depois.

“Ele está com um grande técnico. É um técnico que eu aprendi a fazer salto com vara, credito o desenvolvimento do salto com vara no Brasil à minha ligação com o Vitaly esses anos todos”, admite Elson, sem esconder a frustração. “Eu não tenho relação mais com ele (Thiago), porque ele não treina mais comigo.”

Ouro nesta sexta-feira no Troféu Brasil, o garoto evitou entrar em polêmicas. Agora na Orcampi, de Campinas, disse que mantém a mesma boa relação com os ex-colegas de clube, afirmou que mantém a mesma rotina de treinamos, agora na Europa, mas disse que não havia cumprimentado o treinador que o revelou. A mesma versão foi contada por Elson. “Não tenho nada o que falar com ele, não é meu atleta”, alegou o treinador, contrariado.

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