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Rafaela Silva retribui ajuda que teve no início no judô

Demétrio Vecchioli

28 de agosto de 2013 | 20h45

A Cidade de Deus ficou internacionalmente conhecida por conta do filme homônimo que retratava a dura vida de quem morava no local. Agora a favela pode se gabar de ser famosa por mais um motivo: a medalha de ouro de Rafaela Silva, judoca de apenas 21 anos, nascida e criada ali.

Rafaela foi descoberta pelo Instituto Reação, ONG comandada pelo ex-judoca Flávio Canto. Aos 16 anos, ela conquistou o título mundial júnior. Na época, não tinha dinheiro, da família ou de patrocínios, para viajar. Mas Flávio Canto sempre dava um jeito para que ela fosse competir.

Hoje, dona de uma carreira consolidada na seleção brasileira e agora como a única campeã mundial do judô feminino brasileiro, é Rafaela quem ajuda as mais jovens. Uma das sortudas é Tamiris Crude. A garota de 19 anos trocou a equipe de São Caetano pelo Reação, mas foi ao Rio sem ter onde morar.

Rafaela, então, fez papel de “mãe” e acolheu a novata. Mais do que isso: deu à tímida garota a oportunidade de vivenciar o clima de um Mundial. Foi Tamiris a responsável por, nos últimos oito dias, trabalhar como sparring de Rafaela na seleção. Com o uniforme do Brasil, recebeu o primeiro pedido de entrevista. Sorriu timidamente, respirou fundo, mas não deixou a vergonha de lado.

“Fiquei feliz por ter ajudado”, disse Tamiris, bastante envergonhada, mas feliz pelo feito que também é, em parte, dela. Confessou que Rafaela treinou muito pouco o Gaeshi, golpe que lhe deu a medalha de ouro na final do Mundial do Rio. “Nem faço muito esse golpe mesmo. Mas foi na hora certa”, admitiu a campeã, após derrotar a norte-americana Marti Malloy na decisão.

A nova campeã mundial, que se emocionou várias vezes depois de receber a medalha de ouro, talvez tenha tido seu momento de maior emoção quando falou de Sylvestre Travassos, seu ex-treinador de jiu-jitsu, morto num acidade de helicóptero no final do ano passado. “Toda vez que eu estava desanimada, era ele que falava para eu me animar. Ele foi para Paris ver eu lutar no Mundial (em 2011, quando ficou com a prata). Ele fez parte da minha vida, gostaria muito que ele estivesse aqui”, disse Rafaela, chorando copiosamente.

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