Remo do Rio protesta e cobra que Olimpíada deixe legado
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Remo do Rio protesta e cobra que Olimpíada deixe legado

Demétrio Vecchioli

20 de maio de 2014 | 06h00

remo

Clube de Regatas Flamengo; Botafogo de Futebol e Regatas; Club de Regatas Vasco da Gama. Não há a menor dúvida da importância do remo no esporte do Rio. A modalidade, porém, reclama que não receberá nenhum legado pela realização dos Jogos Olímpicos na cidade, em 2016. Neste domingo, na segunda etapa do campeonato estadual, atletas e dirigentes iniciaram um protesto denominado: “O remo quer o seu legado”.

“Cobramos estruturas fixas para o  remo. As montagens provisórias só oneram e não deixam nada para o esporte. O remo quer um CT no estádio de remo da Lagoa como legado. Essa é uma oportunidade única para o esporte. A federação se responsabiliza pela manutenção do CT, não haveria ônus para o poder público. Faremos parcerias e desenvolveremos o remo carioca, que precisa de espaço para crescer”, explica Paulo Carvalho, presidente da Federação de Remo do Estado do Rio.

Mais problema: ‘Não caia na água do Rio’, alerta capa do New York Times

As provas de remo em 2016, assim como aconteceu no Pan de 2007, vão acontecer na poluída Lagoa Rodrigo de Freitas. O local é maior centro nacional de prática de remo, mas há defasagem de garagens, o partidor (onde acontece a largada) precisa ser substituído e a bela arquibancada é longe demais da raia. Toda a nova estrutura para 2016 deverá ser provisória. De acordo com Fabiana Beltrame, só 10%, hoje, ficará como legado.

Além disso, há uma disputa jurídica complexa envolvendo o remo carioca, o governo do Rio e a Glen Entertainment, que desde 1997 tem o controle do Estádio de Remo da Lagoa, mas só nos últimos anos assumiu o local, transformando-o em um centro gastronômico. Os atletas reclamam que o “shopping” tomou o espaço reformado para ser garagem de barcos e inclusive cobra estacionamento para quem vai treinar.

“O Estádio de Remo está ficando cada vez mais em segundo plano, com a construção dos cinemas e restaurantes, o remo perdeu seu espaço e sua identidade. Não sou contra esses estabelecimentos ali, mas temos que achar uma forma de conviver pacificamente, sem que o remo seja expulso do lugar onde sempre existiu”, critica Fabiana.

Apesar de ter laços estreitíssimos com os principais clubes do Rio, o remo se sente desprotegido na cidade sede da próxima Olimpíada. “Ainda não conseguimos ser ouvidos pelo comitê organizador. Não queremos que tudo se decida sem o remo opinar. Estamos a dois anos dos Jogos, temos que buscar o melhor para o nosso esporte”, completa Carvalho, que reclama também da poluição da Lagoa. “Precisa ser tratada. Seria muito ruim receber as delegações interacionais do remo com a qualidade da água atual. De fato até melhorou, mas você mergulharia nela? Eu não!”, diz.

Carvalho sugere que o CT receba o nome de Fabiana Beltrame, principal atleta da história do remo brasileiro, campeã mundial em 2011 numa prova não-olímpica. Para 2016, além dela, o Brasil tem esperanças em Beatriz Cardoso, também do Flamengo, e Uncas Tales, do Botafogo. Só os dois clubes, hoje, têm grandes equipes no Rio, com os rubro-negros mais forte no feminino e o botafoguenses no masculino. O Vasco, terceira força (de longe), aposta em estrangeiros.

Tudo o que sabemos sobre:

esportesLagoa Rodrigo de FreitasRemo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: