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Renzo Agresta sugere técnicos estrangeiros para esgrima se desenvolver

Demétrio Vecchioli

25 de junho de 2013 | 23h01

A festa foi grande da delegação brasileira no Pan de Cartagena para o campeão Renzo Agresta. Foto do Facebook pessoal do atleta

A festa foi grande da delegação brasileira no Pan de Cartagena para o campeão Renzo Agresta. Foto do Facebook pessoal do atleta

Principal nome da esgrima brasileira neste século (e talvez em toda a história), Renzo Agresta está de volta ao Brasil. Depois de concluir faculdade na Itália e desenvolver seu jogo por lá, ele decidiu retornar ao País natal ao fim dos Jogos de Londres.

Ficou sem competir até fevereiro, participou de mais um torneio em maio, e na semana passada conquistou o maior resultado da sua carreira: o título Pan-Americano no sabre.

Exemplo para a nova geração e com uma vivência que nenhum outro atleta no País tem, ele aponta que o intercâmbio é a chave para a evolução da esgrima no Brasil. “(Deveríamos) importar treinadores de alto nível e trazer atletas de alto nível para fazer estágios com os atletas da seleção brasileira”, disse ele, em entrevista exclusiva ao Olimpílulas.

Quando perguntado sobre os entraves para que a esgrima cresça no Brasil, citou a falta de dinheiro “A maioria da verba que a CBE recebe é voltada para o alto rendimento, e não para o fomento do esporte”, lamentou ele, que foi político ao comentar a redução no investimento da Petrobrás em patrocínio do esporte olímpico, corte que afetou diretamente a esgrima. “Acho que a Petrobrás está ajudando bastante o nosso esporte. Está sendo um excelente apoio. E, sem dúvida, me ajudou na conquista desse título.”

O investimento da Petrobrás, que foi reduzido mas não cortado, ajudou a levar diversos esgrimistas brasileiros a etapas do Circuito Mundial nos primeiros meses do ano. Na análise de Renzo, apesar dos resultados não terem sido empolgantes (poucos conseguiram somar pontos no ranking), a modalidade apresenta evolução no País.

“Com certeza existe uma evolução. Esse resultado histórico mostra. Além do mais, tivemos medalha no Campeonato Mundial até 17 anos esse ano e já fazia 10 anos que não tínhamos medalhas em mundiais. Os atletas, no geral começam, a ter melhores posições no ranking mundial, e adquirem experiência através de treinos no exterior e competições internacionais”, apontou ele.

Renzo só não vai aos Jogos Olímpicos se não for vontade da CBE e se não conseguir a vaga individual. O Brasil, como país-sede, tem direito a levar oito atletas à Olimpíada e a distribuição dessas vagas quem faz é a CBE. Como o sabre masculino por equipes muito provavelmente não estará no programa (há um revezamento de duas armas por edição dos Jogos), o provável é que o time de florete (hoje seriam Guilherme Toldo, João Antonio Souza e Heitor Shimbo ou Fernando Scavasin) seja convocado. A outra vaga no masculino ficaria com Renzo.

Esse é o cenário caso nenhum atleta brasileiro conseguir a vaga pelo ranking ou por seletivas. Caso isso aconteça (em Londres, por exemplo, Renzo, Athos e Toldo conseguiram), as vagas de convite poderiam ser passadas a outros atletas. Oito esgrimistas por gênero é o limite

No feminino deverá ir a equipe de espada (hoje seriam Cleia Guilhon, Rayssa Costa e Amanda Simeão), com a outra vaga ficando em aberto. Gabirela Cecchini, bronze no último Mundial Cadete no florete, poderia ser convocada, até para ganhar experiência. “Ela tem bastante potencial, mas é importante respeitar o tempo biológico de cada um. Ela teria idade pra conseguir participar da Olimpíadas no Rio, mas acredito que a maturidade dela como atleta vai ser um pouco mais pra frente”, opina Renzo.

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