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Brasileiros trocam chance de disputar Mundial por treinos pesados na China

Demétrio Vecchioli

12 de junho de 2013 | 13h16

Ingrid Oliveira, Giovana Pedroso e Isaac Souza. Nova geração treinou na China e voltou para disputar o Sul-Americano Juvenil

Ingrid Oliveira, Giovana Pedroso e Isaac Souza. Nova geração treinou na China e voltou para disputar o Sul-Americano Juvenil. Crédito: AliceKohler

Quantos atletas trocariam a chance de disputar um Campeonato Mundial (em Barcelona!!!) por um ano na China, morando em um hostel, treinando das 8h às 19h e sem acesso ao Facebook? Poucos? Mas não é assim que pensa a nova geração dos saltos ornamentais no Brasil.

Mesmo sabendo que perderiam a chance de disputar um Mundial, Ian Matos, Rui Marinho, Ingrid Oliveira e Giovanna Predroso, entre outros, aceitaram o desafio proposto pela CBDA e pelo COB e partiram, no começo do ano, para a China, onde poderiam ficar até um ano treinando com Yu Fen, uma das mais reconhecidas técnicas da modalidade em todo o mundo.

A chinesa, que deixou a seleção de seu país recentemente, tem sido uma espécie de consultora da CBDA, mesmo que a entidade ainda não tenha divulgado isso. A tendência é ela ser contratada como técnica da seleção brasileira de modalidade.

No começo do ano ela veio ao Brasil por uma semana e formou uma seleção brasileira permanente. Mas a indefinição sobre a sede desta seleção fez ela convidar os brasileiros a treinarem com ela na Tsinghua University, em Pequim. Foram para lá também Luiz Outerelo, Jackson Rondinele, Isaac Souza, Luana Lira, Andressa Mendes e Gabriela Jade.

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O pessoal mais velho (Cassius Duran, César Castro, Juliana Veloso e Hugo Parisi) continuou no Brasil. Juliana teve recentemente o segundo filho e está sem treinar, mas César e Hugo seguem firmes e vão ao Mundial. Cassius (34), ainda que continue competindo, muito dificilmente terá fôlego para ir aos Jogos do Rio.

Por conta no período na China, as revelações brasileiras nos saltos ornamentais esvaziaram o Troféu Brasil. Isso fez com que só cinco atletas fizessem índice para os Grand Prix e só dois (Hugo e César) repetissem o índice para ir ao Mundial. Os jovens perderam todo esse processo, mas isso já estava planejado.

Isso porque Fen quer implantar metodologia chinesa nos saltos ornamentais brasileiros. O plano dela era que os atletas ficassem um ano sem competir. Só treinando. Mas o projeto esbarrou no bolsa atleta. Os saltadores dependem da bolsa para sobreviver e só conseguem a renovação se tiverem resultados internacionais. Por isso a delegação voltou da China há algumas semanas. Os mais jovens foram para o Sul-Americano Juvenil, na Colômbia. Outros vão à Universíade, em julho, na Rússia. Em agosto eles voltam à China para mais alguns meses por lá.

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Todos trabalham com a certeza de que o Brasil tem oito credenciais garantidas para os Jogos do Rio. Nos últimos anos, os países sede tiveram vaga garantida nas provas de saltos sincronizados. No individual, tem que classificar por mérito próprio.

Isso fez com que alguns atletas tenham passado a se focar na prova em dupla. É o caso de Ian Matos e Luiz Outerelo, no trampolim (3m), por exemplo. Nesta prova, a tendência é César Castro, se mantiver o nível, se classificar individualmente.

Na plataforma, em que é mais fraco, Hugo e Rui devem seguir entre os melhores. Mas Issac Souza (14 anos) tem muitas expectativas depositadas sobre ele, podendo também competir no trampolim – ele foi bronze no Sul-Americano.

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Entre as mulheres, a nova geração promete. Ingrid Oliveira (16 anos) encabeça a turma e, no Sul-Americano, subiu ao pódio tanto na plataforma quanto no trampolim. Giovana Pedroso ainda vem um pouco atrás, mas é dois anos mais nova. Entre elas, Andressa Mendes (15), que chegou a brigar para ir aos Jogos de Londres (ficou a um passo da vaga na plataforma), mas não conseguiu manter o ritmo. Juliana Veloso, só para lembrar, salta no trampolim. As irmãs Cruz correm por fora na plataforma sincronizada.

O caminho a se percorrer para que o Brasil faça bonito nos Jogos do Rio é longo. Sonhar com medalha é utopia. A meta é fazer finais no individual e brigar por posições intermediárias no sincronizado (são só oito duplas). No feminino, com a mão de obra disponível, dá para pensar em brigar por pódio em 2020, se o trabalho for bem feito. No masculino há uma diferença de uma década entre Ian, Rui e Luiz até Isaac. E ninguém surgiu neste meio tempo. O trabalho é para que a geração a partir de Isaac (ou ele mesmo) possa fazer algo de notável nesses sete anos.

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