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Se o Brasil ganhou o Mundial de Natação, então ele precisa ser revisto

Demétrio Vecchioli

08 de dezembro de 2014 | 00h19

O Brasil ficou no primeiro lugar do quadro de medalhas do Mundial de Piscina Curta de Doha (Catar), encerrado domingo. Ganhou sete de ouro, uma de prata e duas de bronze. Mas isso não quer dizer coisa alguma, senão que a Fina (Federação Internacional) precisa rever urgentemente o formato do Mundial e que o Brasil tem a obrigação de, a partir desta segunda-feira, esquecer as competições em piscina de 25 metros e as provas de 50m nos nados borboleta, peito e costas.

Exceto Cesar Cielo e Felipe França nos 50m peito (reforço: prova não olímpica), os brasileiros foram bastante beneficiados pela ausência de rivais – sem ignorar o mérito próprio. Não é sério um Campeonato Mundial em que as Filipinas e o Paraguai disputam uma mesma final de revezamento.

Basta olhar o quadro de medalhas, com o Brasil em primeiro e os EUA em nono, com apenas duas de ouro. Em cada um dos últimos dois Mundiais de Piscina Longa (os que valem), os norte-americanos faturaram 29 medalhas. Foram 13 douradas em Barcelona/2013 e 16 em Xangai/2011. Os chineses saíram de cinco ouros em cada uma das duas edições para três míseras medalhas (nenhuma dourada) em Doha. Austrália e França, potências inegáveis na natação, foram respectivamente 11.ª e sétima colocadas no Catar.

O Mundial de Doha ficou marcado pelos “superatletas”, enquanto torneios que realmente valem (Olimpíada e Mundial de Desportos Aquáticos) valorizam prova por prova. Chad Le Clos, Katinka Hosszu, Mireia Belmonte e Ranomi Kromowidjojo ganharam quatro de ouro cada. No Mundial de Barcelona/2013 (em longa), Le Clos e Hosszu ganharam dois ouros cada e Ranomi um só. No ano que vem, em Kazan (Rússia), tem tudo para ser assim também. Felipe França faturou cinco títulos e nem foi ao Mundial passado.

A competição ainda mostrou que o COI (Comitê Olímpico Internacional) está absolutamente certo em não incluir as provas de 50m em estilos (costas, peito, borboleta) no programa dos Jogos Olímpicos. No feminino, das nove medalhistas nas disputas de 100m, só duas não foram ao pódio também nos 50m. O mesmo vale, nesse caso, para os 100 medley, que teve mesma campeã e vice dos 200m medley. Nos revezamentos 4x50m, as equipes campeãs foram idênticas às dos 4x100m.

No masculino, Chad Le Clos ganhou os 50m e os 100m no borboleta, Felipe França fez a dobradinha no peito (com Adam Peaty em segundo em ambas as provas) e no nado costas só não aconteceu o mesmo porque Florant Manaudou não nadou os 100m. O mesmo revezamento brasileiro levou no 4x50m e no 4x100m livre.

Em síntese: o mesmo nadador, pelo mesmíssimo talento, é premiado duas vezes. Das sete medalhas de ouro do Brasil, quatro (a maioria, portanto) vieram de provas de 50m metros (incluindo revezamentos). Do total de 10 medalhas, só quatro vieram em provas olímpicas: 50m livre (bronze de Cielo), 100m livre (ouro de Cielo), 100m peito (ouro de Felipe França) e 4x100m medley masculino (ouro).

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