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Seleção de vôlei de praia gera reclamações, mas dá resultado e é copiada

Demétrio Vecchioli

15 de outubro de 2013 | 22h39

Agatha Bednarczuk and Maria Antonelli from Brazil

Juliana joga com Maria Elisa, que joga com Ágatha, que joga com Bárbara Seixas, que joga com Lili, que joga com Rebecca, que não joga com mais ninguém porque, assim como Juliana, não se encaixou no novo modelo do vôlei depraia brasileiro. A mudança de duplas não agrada as jogadoras afetadas, mas é inegável que o formato de seleção está colhendo frutos. A ponto de ser copiado pelos rivais.

A partir desta temporada o vôlei de praia brasileiro tem seleções. Se antes dois atletas escolhiam jogar juntos e inscreviam-se nas etapas dos Circuitos Brasileiro e Mundial, hoje é a CBV quem convoca os melhores jogadores do País, os coloca para treinar em regime de concentração no CT do vôlei de praia em Saquarema (RJ) e monta, para o Circuito Mundial, as duplas que os técnicos acreditam que podem render mais.

No masculino as duplas do Circuito Brasileiro 2012/2013 foram mantidas para a temporada internacional. Mas, no feminino, houve remanejamento. Juliana inicialmente não se apresentou. Pediu desculpas, voltou, mas deu declarações públicas contra o formato. Foi cortada e ganhou um ano para repensar a vida e descansar. Ninguém confirma oficialmente, mas a melhor jogadora do mundo voltará no ano que vem. Enquanto está sem a parceira, Maria Elisa foi unida a Ágatha.

Em São Paulo aconteceu na semana passada a décima etapa do Circuito Mundial. Apesar da medalha de bronze conquistada sábado, na quinta elas reclamavam da falta de entrosamento. “Atrapalha muito ficar mudando. Primeiro uma, depois outra. A cabeça precisa ser muito flexível. Precisa ter paciência com os erros, ser compreensiva. Ela (Maria Elisa) levanta para outra jogadora, agora tem que levantar para mim. É muito diferente”, explica a canhota Ágatha. Juliana é destra.

Antes de jogar em São Paulo, as brasileiras participaram de duas etapas do circuito nacional. Voltaram a treinar agora com as parceiras de seleção, com quem não jogavam desde o fim de agosto. “O entrosamento está fazendo falta. A gente está batendo cabeça”, diz Lili, que joga no Parque Villa-Lobos ao lado de Bárbara Seixas.

As reclamações, porém, não mudam o planejamento da comissão técnica. “Nosso feedback é dentro de quadra e os resultados estão aí. Vencemos seis de 10 etapas do Circuito Mundial”, diz o técnico da seleção feminina, Marcos Miranda.

“Temos 16 pessoas aqui trabalhando para saber o que é melhor para cada uma”, reforça ele, que comanda uma equipe com 13 profissionais de áreas como a fisioterapia e a preparação física. Com o masculino, que tem staff parecido, o feminino ainda divide dois médicos.

Para Marcão, é necessário mudar a cultura da modalidade para evoluir. “O atleta vai ter que se adaptar a levantar para jogadores diferentes. O Bruninho não levanta para um monte de jogadores diferentes? No vôlei de praia vai ter que ser assim também.”

Apesar das críticas à mudança de parceiros, ninguém contesta que o novo sistema deu certo. “Hoje eu tenho não sei quantas pessoas fazendo de tudo para que eu seja campeã. Se eu estou com dor tem um fisioterapeuta para me ajudar. Tem tudo. Eu só tenho que me preocupar em ganhar”, avalia Maria Elisa.

A prova do sucesso é que o Brasil tem quatro das sete melhore duplas do ranking mundial (as outras três, europeias, somam também pontos do circuito continental). Na lista individual, que considera apenas os seis melhores resultados na temporada até a etapa de São Paulo, as seis primeiras são brasileiras. Só Ágatha e Maria Elisa (empatadas em 17º) estão para baixo.

“Está todo mundo copiando. Chegamos em Berlim (no Grand Slam, em agosto) e a Alemanha estava com seis técnicos. Holanda e Rússia também já estão implantando aqui o formato de seleção”, aponta Marcos Miranda.

CONCORRÊNCIA – As novidades também mudaram o formato da corrida por quatro vagas masculinas e outras quatro femininas nos Jogos do Rio. As disputas não são mais entre duplas, mas separadamente entre bloqueadoras e defensoras.

Assim, Lili, Juliana, Talita, Ágatha e Carol disputam duas vagas. Bárbara Seixas, Maria Elisa, Taiana e Maria Clara concorrem pela outra. Além disso, ninguém duvida que Larissa possa voltar ao vôlei de praia e ainda entrar na segunda briga. Rebecca se queimou ao pedir dispensa. Elize Maia, Fernanda Berti, Natasha e Mari Paraíba, que também integram a seleção, são nomes para desenvolver a modalidade. Não irão ao Rio/2016.

No masculino, num grupo estão Alison, Ricardo, Pedro Solberg e Evandro. No outro, Bruno Schmidt, Emanuel, Vitor Felipe e Álvaro Filho. 

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