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Sem piscina olímpica, Bahia coloca dois nadadores na Olimpíada

Demétrio Vecchioli

28 de julho de 2015 | 09h27

Dizem que o Brasil é o “país do jeitinho”. Pois Ana Marcela Cunha e Allan do Carmo deram o jeitinho deles para estarem na Olimpíada do Rio-2016. Soteropolitano que são, os nadadores não têm um único lugar para treinar em piscinas de 50 metros (a chamada “piscina olímpica”) em todo o estado. Foram para as águas abertas e será na maratona aquática que ambos vão buscar uma inédita medalha para o Brasil no Rio, em 2016.

A vaga de Ana Marcela está entre os grandes feitos do esporte olímpico brasileiro neste ano (de Pan). Que ela ou Poliana Okimoto estariam na Olimpíada ninguém tinha dúvida, até porque o país sede tem direito a um convite. O problema era classificar a ambas, ter duas chances reais de medalha nessa prova no Rio.

Para fazer justiça e nenhuma das duas ficassem de fora da Olimpíada, ambas precisariam ser Top 10 do Mundial de Kazan, em prova realizada nesta manhã (pelo horário de Brasília). Ana Marcela chegou em terceiro, Poliana em sexto. Resultado pior do que a dobradinha ouro/prata do Mundial passado, é verdade, mas em outras condições. Em Kazan, ficar em 1º ou em décimo não importava.

Estão conhecidas apenas 10 das maratonistas que estarão no Rio, mas já se sabe que o Brasil será o único a ter duas representantes na Olimpíada. Único que poderá por duas atletas no pódio, único que pode tentar alguma estratégia de equipe. Gente boa, como a americana Rebecca Mann, está definitivamente fora da Olimpíada. Menos gente brigando pelo pódio.

No masculino, o Brasil não é tão forte e não deu a mesma “sorte”. O País vive um momento de nítido desenvolvimento, mas ainda fica devendo para as potências. Allan do Carmo foi nono colocado no Mundial, Diogo Villarinho não completou entre os 10 primeiros, e o baiano será mesmo o único brasileiro na maratona aquática da Olimpíada. Para os demais, o ciclo olímpico acabou. Agora é pensar em Tóquio.

O governo da Bahia também pensa assim. Fechou a única piscina olímpica pública do estado em 2010, quando derrubou o complexo da Fonte Nova para construir um novo estádio para a Copa do Mundo. Um ano antes, lançou a piscina da prometida Vila Olímpica, nas intermediações de Pituaçu. Após seis anos, o governo promete entregar a obra ainda em 2015. Até lá, fica com uma única piscina olímpica em todo o estado – uma precária, privada, sem condições de uso em competições, na cidade de Valença, a mais de 250km de Salvador.

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