Sergio Cabral coloca Nuzman contra parede e pode criar crise
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Sergio Cabral coloca Nuzman contra parede e pode criar crise

Demétrio Vecchioli

13 de janeiro de 2014 | 07h00

Tasso Marcelo/Estadão

Carlos Arthur Nuzman, o poderoso presidente do COB e do Comitê Organizador dos Jogos do Rio/2016, foi colocado contra a parede pelo governador Sergio Cabral. Agora o dirigente , que estava quieto no canto dele, vai ter que responder: está do lado dos interesses do COI (Comitê Olímpico Internacional) ou do desenvolvimento do esporte olímpico brasileiro?

O problema tem nome: Carlos Arthur Nuzman. É que o presidente do COB emprestava seu nome ao Centro de Treinamento dos Saltos Ornamentais, um ginásio fechado, essencial para a preparação da seleção brasileira da modalidade. O CT foi derrubado quando o Parque Julio Delamare foi fechado para ser demolido visando as obras da Copa, no meio do ano passado.

Quando Cabral, atendendo cobrança da Confederação Brasileira de Desportos Aquático (CBDA), desistiu de derrubar o Delamare, prometeu que reconstruiria o “Centro de Saltos”. A promessa, feita em meio aos protestos de junho, não foi cumprida. E agora que o governo assinou um aditivo no contrato com a concessionária que cuida do Maracanã, não cobrou desta que realize a obra.

Coaracy Nunes, presidente da CBDA, fez cobranças públicas (deu declarações fortes a diversos órgãos de imprensa na sexta) e Cabral respondeu no sábado pelo Twitter e pela assessoria de comunicação do governo. Afirmou: “O Centro de Saltos não será construído antes da Olimpíada, a pedido do Comitê Organizador Rio/2016. Ele foi demolido porque comprometia o fluxo de pessoas ao Maracanã na Copa das Confederações – o que, conforme avaliação do Comitê Rio/2016, ocorreria também caso o Centro de Saltos permanecesse na Copa do Mundo e na Olimpíada”.

Agora a bola está com Carlos Arthur Nuzman. O presidente do Comitê Organizador pode confirmar a versão de Cabral e estreitar os laços com o governador, fundamental para as obras relacionadas à Olimpíada. Um racha entre os dois poderia causar enormes danos à organização dos Jogos.

Mas o presidente do COB pode também se posicionar junto à CBDA. Dizer que não é bem como Cabral alegou. Que prefere a construção do Centro de Saltos em detrimento a um melhor fluxo de pessoas nos arredores do Maracanã. Ficar do lado do esporte brasileiro. E ao lado de Coaracy, de quem ouviu palavras nada amistosas quando nada fez para evitar a derrubada do Julio Delamare (o presidente da CBDA comandou toda a campanha sozinho, sem o apoio do COB).

Durante o fim de semana, o Comitê Rio/2016 não se posicionou sobre a situação. Não negou nem confirmou o que disse Cabral. Isso não deverá ficar assim por muito tempo. E Nuzman pode definir se um novo prédio será erguido com seu nome. Ou se o resto da sua reputação junto ao esporte olímpico foi abaixo junto com o CT.

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