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Temporada mostra atletismo brasileiro mais maduro para 2016

Demétrio Vecchioli

15 de outubro de 2014 | 19h38

Com a realização do Troféu Brasil de Atletismo, no fim de semana passado, em São Paulo, chegou ao fim a temporada 2014 do atletismo brasileiro. E a sensação na comparação com 2013 é de evolução, sem que novos atletas tenham sido alçados à condição de candidatos à medalha no Mundial do ano que vem. Ainda assim, os resultados mostram uma equipe mais volumosa para os Jogos do Rio/2016, com mais possibilidades de fazer finais.

Como o ranking mundial praticamente já está encerrado (não há grandes competições programadas e a maioria dos atletas está de férias, pensando na temporada indoor 2015), é possível dizer que 14 atletas fecharam 2014 entre os 20 melhores do ranking mundial corrigido (a CBAt e o Ministério do Esporte, para efeito de concessão da Bolsa Pódio, descartam atletas que excedam o limite de três por país). Eram 12 em meados do ano passado, após o Mundial, quando a CBAt fez sua análise.

No total, ao fim do ano, sem descartes, o número de top50 aumentou de 32 para 40. Como efeito de comparação, em 2010, há exatos quatro anos, no meio do último ciclo olímpico, o Brasil tinha apenas 16 top50 no ranking. Atletas com condição de receber Bolsa Pódio eram somente três: Ana Cláudia Lemos, Kleberson Davide e Fabiana Murer.

Como mostro abaixo, por tipo de prova, o Brasil tem mais jovens no ranking mundial e mais atletas em condições de chegar, em 2016, com condições de brigar por medalha/final. Os saltos e as provas de campo evoluíram bastante, a velocidade teve um ano de estagnação e o fundo segue como maior deficiência do País.

SALTOS – A principal melhora veio nas provas de saltos horizontais. Só nos saltos em distância e triplo, no masculino e no feminino, o número de top100 (ao fim do ano, sem descartes) passou de 13 para 23. No triplo masculino, são nove atletas brasileiros entre os 100 melhores do ranking mundial, sendo que os cinco primeiros sequer têm 25 anos: Jonathan Henrique (23), Kauam Bento (21), Danylo Martins (21), Jean Casemiro Rosa (24) e Mateus de Sá (18).

O mesmo vale para o renovado salto triplo feminino, que já vê Núbia Soares (18 anos) no 18.º lugar do ranking adulto. Jéssica Carolina dos Reis (21) está em 29.º no salto em distância, enquanto Higor Alves (20) é o 15.º, Paulo Sérgio Oliveira (21) o 22.º e Tiago da Silva (20) o 31.º na prova masculina.  Todos, claro, têm margem para crescer em dois anos.

Duda, que foi o sexto do ranking mundial no ano passado, sofreu com lesão esse ano e mal competiu a céu aberto. No indoor, porém, foi campeão mundial. Fabiana Murer, por outro lado, teve um ótimo 2014 e fez os quatro melhores saltos da temporada. Na vara masculina, os rankings pioraram, mas Thiago Braz foi dos mais regulares (só ele e mais dois atletas se mantiveram acima de 5,71m os dois anos). De qualquer forma, são três brasileiros entre os os 15 melhores.

No total, o Brasil fecha 2014 com 15 atletas no top50 nas provas de salto, contra 12 da temporada 2013. Até o salto em altura melhorou, com três atletas entre os 80 melhores do mundo no masculino e uma no feminino.

CAMPO – Nas provas de campo a melhor foi notória, uma vez que caíram três recordes brasileiros, com Darlan Romani (peso), Wagner Domingos, o Montanha (martelo) e Jucilene Sales de Lima (dardo). No total, o número de top100 no ranking mundial foi de 11 para 14, com os top50 indo de sete para oito. Mais importante ainda que os números foi que Darlan entrou para o top20, o mesmo valendo para Fernanda Martins no disco e Jucilene no dardo.

A isso se soma a revelação de novos nomes para fazer concorrência aos mais velhos, casos de Nelson Fernandes (20 anos, peso), Willian Bradio (22, peso), Felipe Lorenzon (21, disco), Allan Wolski (24, martelo), Izabela Rodrigues (19, peso e disco) e Rafaela Gonçalves (23, dardo). Quase todos estrearam no ranking mundial este ano.

PISTA – Nas provas de pista, o número de atletas dentro do top50 passou de 11 para 12. Na quase totalidade das provas, os nomes permaneceram os mesmos, com exceção dos 200m, onde Bruno Lins (27 anos) perdeu espaço para Aldemir Gomes da Silva (22) como melhor do País.

O atenuante, aqui, é que as atletas dos 100m/200m foram treinar nos EUA e tiveram o calendário todo alterado – Ana Cláudia Lemos ficou no Brasil e se machucou. Nos 400m masculino, o foco também esteve no revezamento, com os melhores resultados individuais saindo antes de os atletas seguirem para treinar nos EUA. Os velocistas homens têm focado o revezamento e não se espera nenhum resultado satisfatório em provas individuais de 100m e 200m. Em síntese: não dava para se esperar muita coisa.

De forma geral, para os revezamentos, o ano foi positivo. No 4x100m masculino, o Brasil foi quarto no Mundial de Nassau (exclusivo para revezamentos) e fez seu melhor tempo desde 2007. O 4x400m feminino também foi mais rápido do que no ano passado, ficando em oitavo no Mundial. Os outros dois revezamentos (4x100m feminino e 4x400m masculino), que brigam entre os melhores do mundo, tiveram uma temporada marcada por lesões de seus principais atletas. Mesmo assim, ficaram em sétimo no Mundial.

No fundo, nada de relevante, exceto o 41.º lugar do ranking de Cleiton Abrão (25 anos) nos 800m. Em todas as demais provas longas, não há nenhum brasileiro entre os 100 melhores do mundo. Nas barreiras, Mahau Suguimati não teve um ano tão bom quanto 2013, ficando no 29.º lugar do ranking mundial. Em compensação, Artur Terezan (23 anos) e Fabiana Moraes (28) entraram para o top50 do ranking mundial.
OUTRAS PROVAS – Na marcha atlética de 20km, Caio Bonfim foi do 68.º para um ótimo 26.º lugar do ranking mundial, baixando em quase dois minutos seu melhor tempo. Mário José dos Santos melhorou do 90.º para o 53.º lugar nos 50 quilômetros, enquanto Erica Sena foi o 84.º para o 37.º lugar. Assim, os top50 na marcha saíram de zero para dois.
No decatlo, Carlos Chinin, sexto do ano passado, se machucou e não competiu a céu aberto. Por outro lado, Felipe dos Santos, de 20 anos, se aproximou dos 8 mil pontos, no 40.º lugar do ranking. Tamara Alexandrino (21 anos) ficou perto dos 6 mil pontos no heptatlo, mas fechou muito mal o Troféu Brasil. Mesmo assim, é a 42.ª segunda do mundo, logo à frente de Vanessa Spinola (24). No ano passado, fora a 59.ª.
COMPARAÇÃO COM 2010 – Fiz também uma comparação com o total de top10 em 2010, também o ano par do meio de um ciclo olímpico. Naquele momento, eram 16 top50 do Brasil no ranking (hoje são 40). Nas provas de saltos, o País passou de sete para 15. Nas de campo, de dois para oito. Na pista, a melhora foi menos expressiva: de sete para 12. Naquele ano, não havia brasileiros no top50 na marcha (hoje são dois) nem nas provas combinadas (atualmente são três).

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