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Tiro esportivo desperdiça chance de garantir vagas na Olimpíada

Demétrio Vecchioli

22 de outubro de 2014 | 01h48

Apesar do bom momento do tiro esportivo no Brasil, foi decepcionante a participação no Campeonato Pan-Americano da modalidade, semana passada, em Guadalajara (México). Foram apenas duas medalhas em provas olímpicas (Bruno Heck e Julio Almeida), um desempenho bem inferior, por exemplo, ao registrado nos Jogos Pan-Americanos, no mesmo local, em 2011, no último evento continental do tiro esportivo. Na ocasião, foram seis medalhas.

Pior do que o desempenho na competição em si é a ótima chance perdida pelo Brasil para obter vagas extras nos Jogos Olímpicos. Das 15 provas que serão disputadas no Rio, em nove haverá brasileiros, convidados como país-sede. O Pan era seletiva em cinco das seis provas restantes. Além disso, o Brasil poderia assegurar uma vaga que não por convite em seis dessas nove provas para tentar, depois, nos Jogos Pan-Americanos, garantir uma segunda vaga na Olimpíada.

A partir de agora serão três etapas de Copa do Mundo valendo classificação olímpica (de duas a três vagas por prova por etapa). Depois, os Jogos Pan-Americanos de Toronto vão dar uma ou duas vagas por prova. Um atleta só pode conseguir vaga uma vez e existe um limite de dois por país. Assim, se um norte-americano já se garantiu pelo Mundial (que distribui vagas também) e outro conseguir vaga via Copa do Mundo, nenhum atleta dos EUA, nesta prova, é rival em Toronto.

Na análise do blog, o Brasil tem duas boas chances de conquistar vagas extras (conto quatro ****), uma chance média (***) e duas de média para pequena (**). Há ainda duas oportunidades difíceis (*). Nas demais provas, não adianta sonhar. Além disso, em uma prova (pistola 25m feminina) corre-se o risco de não receber o convite, por deficiência técnica. Aposta do blogueiro: serão 11 vagas em 2016.

A seguir, um resumo, prova por prova, das chances de o Brasil classificar atletas para o Rio/2016. Primeiro nas que não tem vaga garantida:

CARABINA TRÊS POSIÇÕES – Em Guadalajara, o Brasil fez um quinto e um sexto lugares, com Leonardo Moreira e Bruno Heck, respectivamente. O Pan vai classificar um atleta e o único pan-americano garantido é o cubano Alexander Molerio. Heck é o número 42 do mundo e pode se classificar em Toronto, principalmente se os EUA obtiverem uma das seis vagas que serão postas em jogo nas etapas de Copa do Mundo. Chance de média para pequena. (**)

CARABINA DE AR 10M – Bruno Heck foi o quinto, atrás de três norte-americanos e um argentino. No Pan, duas vagas estarão em jogo e os EUA só brigam por uma (porque já têm um atleta classificado e o limite é dois). Antes de Toronto, nove serão disputadas em Copas do Mundo. Chance de média para alta. (****)

PISTOLA DE AR 50M – Veterano de 45 anos, Julio Almeida tem boas chances de faturar a vaga olímpica. Ele ficou com a prata em Guadalajara perdendo para o cubano Jorge Grau Potrille e chega como favorito pela única vaga em jogo em Toronto. Antes, seis serão disputadas em Copas do Mundo, com chances de um norte-americano (Jason Turner) faturar uma delas, abrindo o caminho para Julio no Pan. Chance de média para alta. (****)

FOSSE DOUBLE – O Pan não foi bom para o Brasil, que não foi à final. Número 34 do mundo, Jaison Santin ficou na 12.ª colocação. Menos mal que o torneio não valia classificação olímpica mesmo. Só uma vaga estará em jogo em Toronto. O alívio é que o norte-americano Joshua Richmond é campeão mundial e já está na Olimpíada. São outros dois dos EUA no top10 do ranking e, se um deles conseguir uma das seis vagas que serão disputadas em Copas do Mundo, os EUA deixam de ser rivais no Pan. Chance média. (***)

CARABINA TRÊS POSIÇÕES FEMININO – Vaga é bem difícil aqui. Cristina Baptista foi a única brasileira na final, em oitavo. Seis vagas serão disputadas em Copas do Mundo antes de duas entrarem em jogo no Pan. Nenhuma brasileira aparece no ranking mundial e a discrepância para EUA e Cuba (que tiveram três finalistas cada) é gritante. Chance quase nula (/).

Agora as chances de ter uma segunda vaga nas provas em que há a garantia do convite (para isso é preciso conquistar duas vagas):

CARABINA DEITADO – Cassio Rippel é hoje o número 13 do mundo e tem chances reais de conquistar uma das seis vagas em jogo em Copas do Mundo (cinco atletas já estão garantidos pelo Mundial e já não concorrem), apesar de ter ido mal no Pan (nem final pegou). Aí, é possível brigar por outra vaga em Toronto com Bruno Heck (bronze em Guadalajara) ou Leonardo Moreira (quarto colocado). Chance de pequena para média para uma segunda vaga. (**)

PISTOLA DE TIRO RÁPIDO – Número 17 do ranking mundial, Emerson Duarte era forte candidato a medalha no Pan, mas ficou em quinto – a prova não era pré-olímpica. Vaga via Copa do Mundo é difícil porque são só seis em jogo e apenas dois classificados pelo Mundial. No Pan, só avança o campeão e o Brasil só tem Emerson Duarte concorrendo. Só terá uma vaga, que tende a ser por convite. (/)

PISTOLA DE AR 10M – Julio Almeida chegou a Guadalajara com alguma chance de pódio (foi bronze em 2011), mas terminou em sétimo, apenas. Número 47 do mundo, ele dependeria de uma vaga em Copa do Mundo (são nove em jogo, além de seis já classificados pelo Mundial) para abrir a chance de uma segunda vaga ao campeão do Pan. Aí, Felipe Wu, medalhista nos Jogos da Juventude de 2010, tentaria a sorte. Em Guadalajara, ele foi só o 11.º. Chance bem pequena para segunda vaga. (*)

FOSSA OLÍMPICA MASCULINA – Destaque no Mundial, Rodrigo Bastos foi mal no Pan e terminou apenas no 11.º lugar. Mas ele tem chances reais de ficar com uma das seis vagas em jogo nas Copas do Mundo (três foram pelo Mundial) e eliminar a necessidade de convite. Aí, no Pan, Eduardo Correa (sétimo em Guadalajara e 62.º do mundo) brigaria por uma das duas vagas. Chance pequena para a segunda vaga. (*)

SKEET MASCULINO – Pior prova masculina do Brasil. Em Guadalajara, o melhor resultado, de Renato Portella, foi um 23.º lugar. Não há ninguém no ranking mundial. É agradecer o convite e se preparar para não fazer feio. Menos mal que Renato fez a pontuação mínima para participar da Olimpíada. Vai com um e está bom demais. (/)

CARABINA DE AR 10M FEMININO – Outra prova em que o Brasil vai mal. A melhor do Pan foi Rosane Ewald, no 18.º lugar, e o País está fora do ranking mundial. Ela e Cristina Baptista fizeram a pontuação mínima. Agora é usar bem o convite. Vai com uma e está bom demais. (/)

PISTOLA 25M – Aqui a situação é ainda mais complicada. Afinal, ninguém fez a pontuação mínima para ia à Olimpíada. Quem se aproximou foi Rachel Silveira, 18.ª colocada. O ranking mundial não tem atletas do País. Precisa se esforçar para justificar o convite. (/)

FOSSA OLÍMPICA FEMININA – O convite está garantido porque duas atletas (Janice Teixeira e Ludmila Melo) fizeram a pontuação mínima, sendo respectivamente oitava e nona colocadas no Pan. No ranking mundial, dividem o 72.º lugar. Só haverá uma vaga em jogo em Toronto e o Brasil precisaria do título. Vai à Olimpíada por convite. Nenhuma chance de segunda vaga. (/)

SKEET FEMININA – Daniela Carraro fez o quarto lugar em Guadalajara, atrás de três norte-americanas. Número 60 do ranking mundial, ela torce para uma norte-americana ficar com uma das seis vagas em jogo em Copas do Mundo (Brandy Drozd vai como campeã mundial). Aí, os EUA não seriam rivais em 2016. A prova no México teve apenas 11 competidoras e só uma brasileira. A vaga pode vir sem convite. (/)

 

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