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Trabalho de cubano dá resultado e barreirista brasileiro faz índice olímpico

Demétrio Vecchioli

16 de maio de 2015 | 17h00

Seis meses depois de o cubano Santiago Antúnez chegar ao País como consultor das provas de barreira, o primeiro grande resultado já apareceu. Para surpresa geral, até dele mesmo, Eder Antonio Souza fez o melhor tempo da semifinal dos 110 metros com barreira nos Troféu Brasil, neste sábado, em São Bernardo do Campo (SP), e, com 13s46, conseguiu de uma vez só índices para o Pan de Toronto, no Canadá, o Mundial de Atletismo em Pequim, na China, e os Jogos Olímpicos do Rio.

“A ficha não caiu. Fiquei muito surpreso porque quando terminei minha corrida, o árbitro anunciou que eu tinha feito 13s62. Pensei, tempo legal, mas amanhã (sábado) tem final e tal. Aí minha namorada veio correndo, chorando: ‘Parabéns, você conseguiu’. Eu falei: ‘Não é bem assim’. Aí ela entrou no site da CBAt, fez o ‘print’ da página. Eu: ‘Mentiiiira’. Até agora a ficha não caiu”, contou o barreirista, que precisava superar 13s47 para ir à Olimpíada.

Revelado em Araraquara (SP) e finalista do Mundial Juvenil de 2004 nos 110 metros com barreiras, Eder chegou a ser apontado pelo técnico Nélio Moura como uma grande revelação dos saltos horizontais. “Meu salto em distância não estava melhorando, resolvi priorizar a barreira”, conta Eder. Ele foi ao Pan do Rio e ao Mundial de Osaka, em 2007, e ao Mundial Indoor de Valencia, em 2008. Depois, não teve mais bons resultados.

“Eu sou muito de momento. Treinava visando as competições, não muito além. Nunca fiz planos para o futuro. O fato de eu e ser assim fez com que eu continuasse mais (no atletismo). Quando você faz planos e não dá certo, fica chateado”, argumenta o barreirista, hoje na Orcampi/Campinas.

Os rumos da carreira dele começaram a mudar quando a CBAt recontratou Santiago Antúnez, cubano que já havia trabalhado no País entre 1996 e 1999. Na época, ajudou a formar Márcio Simão, quinto colocado no Mundial de Paris, em 2003, e hoje o técnico de Eder.

“A gente vem fazendo trabalho bem legal com o Santiago. Nossa mente mudou, metodologia mudou. Agora é voltado para resultado, para competição lá fora. Ele falava: ‘Só tenha calma. O índice logo sai'”, relata o brasileiro, que divide o treinador com o campeão olímpico Dayron Robles. Eder treina no Centro Olímpico, em São Paulo, enquanto Dayron está na Espanha.