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Decadência do futebol paulista

Luiz Prosperi

23 de novembro de 2010 | 10h52

O futebol paulista está em baixa. Começou o Brasileirão 2010 com seis clubes e pode fechar a conta só com os quatro grandes. O Grêmio, ex-Barueri, um clube de aluguel que virou Grêmio Prudente, já caiu. E o Guarani caminha a passos rápidos para a Série B. Até aí, nada demais. Grandes permanecem e os pequenos evaporam.

A decadência aparece quando se olha para o papel de Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos. Os quatro perderam o rumo. O Corinthians tinha o campeonato nas mãos e, parece, deixou escapar para o Fluminense quando errou feio na transição de Mano Menezes para Adílson Batista. Perdeu um tempo absurdo e, no desespero, foi buscar o Tite. Andres Sanches demorou para reagir e agora paga caro.

A situação do São Paulo é ainda mais trágica. O sempre impoluto Juvenal Juvêncio também errou feio na montagem do time para a Libertadores e, quando não deu certo, vacilou como um aprendiz na desconstrução do seu Franskstein. Entre a saída de Ricardo Gomes e a chegada de Carpegiani se passou uma eternidade. Restou ao time, fora da Libertadores depois de sete anos, o papel ridículo de domingo passado quando viu a sua própria torcida pedir para o time perder. “Estou feliz porque perdemos limpamente”, disse Marco Aurélio Cunha. “Fico feliz de ver um amigo (Muricy Ramalho) vencer.” Ah, bom!

O Palmeiras vive o caos político. Investiu os tufos em Felipão e poderia sofrer um naufrágio do tamanho do Titanic se a famigerada Confederação Sul-Americana de Futebol não tivesse mudado a regra do jogo em cima da hora concedendo ao campeão da Copa Sul-Americana uma vaga na Libertadores. Foi a boia da salvação.

E álibi também para as bravatas de Felipão. “Jogo? Que jogo? Tem jogo domingo?” Sobre a sua opção pelos reservas no Brasileirão, um campeonato que o Palmeiras, dono de quatro títulos, se contentou em ficar no décimo lugar. Ridículo.

O Santos também deitou nas glórias do primeiro semestre e foi passear no Brasileirão. Seus dirigentes imaginaram que o time, mesmo com a saída de jogadores importantes e a contusão de Ganso, jogaria o fino da bola. Um equívoco. Não fosse pelo talento de Neymar e o Santos estaria lá embaixo na tabela. Campeão da Copa do Brasil, o time pouco se lixou para o Brasileirão. É o vento que sopra da Vila Belmiro. Sobra prepotência.

Pobre futebol paulista. Em 2011 pode ficar com apenas quatro clubes no Brasileirão ou no máximo com cinco se acontecer o milgare de a Portuguesa subir na última rodada da Série B. Em tempo: em outras edições do Brasileiro, o futebol paulista já teve até oito clubes entre os 20 participantes.

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