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A Copa é do Brasil

Luiz Prosperi

18 de fevereiro de 2014 | 21h22

A Fifa vai ter um lucro estimado de R$ 4,4 bilhões com a Copa do Mundo no Brasil – faturou R$ 3,3 bilhões na África do Sul, em 2010. O pedido por ingressos para os jogos do Mundial no País atingiu o patamar de 10 milhões – recorde na história das Copas.

Números que traduzem sucesso antecipado do torneio. Até por isso, fica difícil aceitar que a Fifa tenha se arrependido de trazer a Copa para o Brasil. A entidade vai encher os cofres.

O acordo entre Blatter, Lula e Ricardo Teixeira para receber o Mundial foi fechado em 2007. Naquela ocasião não se viu um mísero protesto nas ruas e avenidas brasileiras. Se falava na época em “festa do futebol no país do futebol”.

De repente, descobriram que, para ter a Copa, o Brasil teria de investir. E não era pouco dinheiro. Não se promove um evento dessa magnitude sem gastar. Evidente que teríamos investimentos públicos, assim como foi na Itália em 1990, Estados Unidos, 94, França, 98, Coreia do Sul e Japão, em 2002, Alemanha, 2006, e África do Sul, 2010, para ficarmos nos Mundiais mais recentes.

Diante desse roteiro, promotores públicos, órgãos como os tribunais de contas da união, estados e municípios, ongs, advogados e zeladores dos bens públicos, sem falar da maioria da mídia, se debruçaram na vigilância e cobrança contra a gastança do governo na Copa.

Mesmo com todo big brother do País inteiro para impedir a tal roubalheira, não consta que temos inquéritos abertos e acusações formais contra prováveis desvios de dinheiro. Há muita ação, barulho e pouca transparência. Investigações campeiam como a grama dos estádios.

A Copa é do Brasil. Não se promove uma festa sem gastar. Consta também que o evento não tem esse poder de reinventar o País. Em outros Mundiais, mesmo em países mais ricos, muito se improvisou. Torcedores e turistas também sofreram. Aeroportos não foram assim um primor de serviço. Hotéis também cobraram caro por instalações mequetrefes. E a segurança também foi motivo de muita preocupação.

Quem já foi a uma Copa do Mundo sabe do que estamos falando.

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