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A hipocrisia da bebida alcoólica em 2014

Luiz Prosperi

29 de fevereiro de 2012 | 18h40

Cobri a Copa do Mundo de 1990 na Itália, a primeira da minha carreira no Jornal da Tarde/Estadão. Fui escalado para acompanhar o grupo que reunia Inglaterra, Holanda, Egito e Irlanda. A Fifa confinou as quatro seleções nas ilhas de Cagliari e Palermo, uma medida para evitar o acesso fácil dos hooligans (torcedores violentos, em especial ingleses e holandeses )aos jogos e, assim, evitar arruaças e confrontos.

O prefeito de Cagliari decretou lei seca na cidade nos dias de jogos. Era proibido vender e consumir bebidas alcoólicas. A polícia italiana, os carabinieri, montaram um aparato de segurança especial na tentativa de evitar os vândalos, o quebra-quebra e as batalhas entre torcedores. Tudo certo?

Que nada! Chegou o dia do temido jogo entre Inglaterra e Holanda. Os torcedores ingleses e holandeses driblaram as leis locais e se abasteceram com engradados e engradados de cerveja. Tomaram todas. E, com perdão da expressão, o pau comeu pelas ruas principais de Cagliari e as de acesso ao estádio Sant’Elia.

Narrei essa história nas páginas do JT e Estadão. O episódio também está muito bem contado no livro “Entre os Vândalos”, do autor inglês Bill Buford, publicado em 1991.

COMENTÁRIO: É uma hipocrisia discutir a proibição da venda de bebida alcoólica durante a Copa do Mundo de 2014.Desde 1990 a Fifa se debate com esse tema. Os vândalos não são movidos só a álcool. Há entre eles um gosto pelo ódio, seja lá de quem for.

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