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Luxemburgo amordaçado e o silêncio dos inocentes

Treinadores brasileiros se calam diante das duras críticas do técnico do Flamengo aos cartolas

Luiz Prosperi

03 de abril de 2015 | 17h42

Vanderlei Luxemburgo voltou a ser Vanderlei Luxemburgo nesta sexta-feira santa. Contestado por muitos críticos, dado como acabado por muita gente no futebol e sempre questionado pelos seus métodos de trabalho, o treinador subiu no alto do seu expressivo currículo e expôs as vísceras podres do comando do futebol carioca. Por tabela, do futebol brasileiro.

Pena que foi um ato solitário do explosivo Luxemburgo, sem apoio da comunidade de técnicos brasileiros, na sua maioria cordeirinhos dos cartolas.

A bronca de Luxemburgo vem da censura imposta pela Federação de Futebol do Rio, que, por meio de um regulamento, não permite críticas ao Campeonato Carioca. Inconformado com as regras do torneio e mais a conduta ética alimentada pelos cartolas, ele pediu que dessem “porrada” nos dirigentes promotores da censura. O Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) do Rio entrou em ação e suspendeu Luxemburgo por dois jogos.

O Flamengo recorreu da decisão e conseguiu uma liminar para  que o treinador fosse liberado para dirigir o time no clássico contra o Fluminense neste domingo.  O TJD concedeu a liminar e um dia depois voltou atrás sustentando a punição. Esse recuo do tribunal despertou a ira de Luxemburgo.

“Em um momento onde tomamos uma derrota de 7 a 0 (7 a 1 da Alemanha), busquei um caminho. Não me posicionei contra nenhum dirigente. Quando usei o termo porrada, não era dar porrada na mão, foi um termo que usamos constantemente, vejo constantemente ser usado na televisão. Não foi tentativa de mandar agredir ninguém. Não podemos buscar através do futebol a moralidade de um segmento que não tem moral. Como cidadão brasileiro, venho repudiar…”

“…Vou continuar sendo da forma que sempre fui e vou seguir criticando o que achar que deve ser criticado. Nunca fui de ficar atrás de nada. Vou continuar buscando viver em um país melhor e que minhas filhas e meus netos encontrem um processo democrático ainda melhor. Não vão me calar de jeito nenhum. Se quiserem me tirar do Carioca, que me tirem. Só vou me posicionar quando tiver o meu direito de liberdade”, disse, em um trecho de seu forte discurso.

Ao final do manifesto, Vanderlei Luxemburgo pegou uma tira de esparadrapo e colou na sua boca como se fosse uma mordaça. “Não vão me calar”.

O discurso do treinador foi nesta manhã de sexta-feira no CT do Flamengo. Até o final da tarde nenhum treinador do Brasil havia prestado solidariedade a Luxemburgo. Tite, Felipão, Muricy, Oswaldo de Oliveira, René Simões, Levir Culpi, Marcelo Oliveira, entre outros, se calaram. O silêncio dos inocentes.

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