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A seleção brasileira tem a cara de Dunga

A vitória diante da Argentina dá força à nova velha proposta da seleção de abdicar da maestria a favor do suor. O jeito Dunga de ser.

Luiz Prosperi

11 de outubro de 2014 | 13h01

O que importa é o resultado, implora Dunga. Dentro dessa lógica, é louvável comemorar a vitória do Brasil diante da Argentina por 2 a 0 neste sábado em Pequim. Missão cumprida. Tudo dentro do normal e da cartilha do novo técnico da seleção brasileira. Não há um senão.

Aos que comungam daquele estilo de fantasia e arte da seleção, patente do escrete do fim dos anos 50 até início dos anos de 1980, o remédio é viver do passado. Nos tempos de Dunga, com herança de Luiz Felipe Scolari e de Carlos Alberto Parreira, prevalece o físico, a entrega.

Contra a Argentina essa nova realidade da seleção ficou bem clara desde o início do jogo. A proposta era não dar cara ao tapa e sim proteger o território, montar um forte intransponível a Messi e Di María. Na frente, Neymar e suas estrepolias e o deserto.

Mesmo com tudo congestionado, a Argentina deu estocadas de gol aos pés de Messi e Di María a serviço de Aguero, que não encaixou um bom arremate. Messi ainda teve a chance de abrir a contagem em um pênalti duvidoso em cima de Di. Mas Jefferson defendeu.

O pênalti perdido deu ânimo ao Brasil em seguir na sua toada de entrega física e pouca lucidez em busca do gol. Conseguiu em cruzamento na área, com direito a falha dupla da zaga argentina, bem aproveitado por Tardelli que resultou em gol. Ponto para Dunga e sua estratégia de jogar fechado e explorar as deficiências do inimigo.

No segundo tempo, o Brasil avançou sua tropa no campo hostil. Tomou conta do jogo. E encerrou o capítulo com outro gol de Tardelli. Uma vitória justa, na conta do chá. Resultado que dá força à nova velha proposta da seleção de abdicar da maestria a favor do suor. O jeito Dunga de ser.

Aliás, Dunga, só para variar, perdeu a compostura diante de insultos da comissão técnica argentina. Em gesto deplorável, acusou os portenhos de “aspiradores de cocaína”. Desnecessário. Convém ao comandante a altivez. Mas, como o que importa é o resultado, parabéns ao treinador.

Aquele Brasil, que por muito tempo encantou o mundo, nem é mais um retrato na parede. É uma página amarela da história.

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