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Árbitros têm vida fácil

Luiz Prosperi

29 de julho de 2012 | 21h51

Os árbitros estrangulam Campeonato Brasileiro. Não passa uma rodada sem erros grosseiros dos apitadores. Dirigentes, jogadores e, principalmente, treinadores têm chorado à beça contra as falhas absurdas da arbitragem. Deitam falação após os jogos e no dia seguinte são alvos do Superior Tribunal de Justiça Desportiva da CBF.

No banco dos réus, são condenados com suspensões sem muito direito à defesa. Para complicar, recebem processos dos árbitros na justiça comum. Muitos deles cobram indenizações milionárias, com alegações de que sofreram danos à moral ou foram caluniados com declarações pesadas na imprensa. Haja bolso para atender às sentenças judiciárias.

Diante desse quadro de constante revolta dos dirigentes, jogadores e treinadores, a CBF até aqui não moveu uma palha para repensar a arbitragem ou pelo menos corrigir o que está dando errado no Brasileirão.

Há um silêncio sem constrangimento, diria cúmplice, dos dirigentes para com os homens do apito. Eles quase nunca são afastados ou punidos com suspensões como são apenados os atletas, dirigentes e treinadores.

Nas 13 rodadas do campeonato, Luiz Felipe Scolari, Vanderlei Luxemburgo, Muricy Ramalho, Tite, Oswaldo de Oliveira, Celso Roth, Abel Braga, só para ficar nos mais conceituados, já cobraram os árbitros. E muitos deles também pegaram um gancho no STJD pelas reclamações.

Os jogadores ainda têm outro problema. Flagrados peles lentes da televisão em lances polêmicos, também são levados aos tribunais. E dificilmente escapam de punições pesadas impostas pelos auditores.
Um dos alvos preferidos da arbitragem, Felipão vem batendo pesado.

Neste domingo, por exemplo, para evitar maiores aborrecimentos e até uma nova punição, preferiu não dar entrevistas após a derrota do Palmeiras para o Cruzeiro em Belo Horizonte.

O treinador saiu revoltado com o pênalti mal marcado em Montillo pelo árbitro gaúcho Fabrício Neves Correa. Também saiu indignado no segundo gol de Borges – o lance, segundo os jogadores palmeirenses, teve origem em um impedimento claro que não foi assinalado pelo bandeirinha.

Com ou sem razão, Felipão já não tem mais como chamar atenção dos dirigentes para os equívocos da arbitragem.

A CBF continua uma paisagem. O Brasileirão ainda está no primeiro turno e, se os erros dos apitadores se repetirem nas próximas rodadas, a tabela vai sofrer interferências perigosas.

Por enquanto, os prejuízos aos clubes no campeonato não pesam na balança. Quando a corda apertar no pescoço, a revolta vai ser geral.
Aí pode ser tarde.

(coluna publicada no JT, 30/7)

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