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As lágrimas de Luisito Suarez

Luiz Prosperi

19 de junho de 2014 | 18h17

Uruguai e Inglaterra fizeram uma ode ao futebol no Itaquerão. Jogaram a vida e muito mais em busca da vitória. Quem fosse derrotado estaria muito próximo do adeus à Copa do Mundo. Em jogos com esse apelo, os grandes costumam aparecer e, na maioria das vezes, com drama e paixão.

Ou não foi por paixão e drama que  Luisito Suarez derramou lágrimas ao final da partida na arena do Corinthians? Poucos dias antes da Copa, ele estava com o joelho estragado. Passou por cirurgia, esteve ameaçado de não disputar o Mundial. Garantiu que jogaria e foi à luta. Ficou fora do primeiro jogo quando viu seu Uruguai ser escorraçado pela Costa Rica.

Com sacrifício dos guerreiros, Luisito foi para o segundo jogo de vida ou morte ao Uruguai. Não entrou em campo para fazer número, entrou para ser o protagonista, resgatar a mística da celeste, chacoalhar os fantasmas de 1950 e escrever seu nome na Copa. De cabeça, fez o primeiro gol quando a Inglaterra tinha o controle da situação. Viu Rooney acabar com a maldição de não fazer gols nas Copas ao decretar o empate para os ingleses. E deixou o melhor da festa para o final.

Aos 39 minutos do segundo tempo, aproveitou uma bola viajante pelo alto, acarinhou aos seus pés e, sem olhar para a meta, mandou um balaço. Detalhe: Luisito não precisa olhar para o gol porque a vida inteira o gol esteve em sua vida. E garantiu assim a vitória que fez o  Uruguai renascer. Derramou lágrimas como havia derramado ao comemorar o primeiro gol.

Luisito Suarez  já é um dos símbolos dessa Copa que a cada jogo tem sido um louvor ao futebol destemido, bem jogado, em busca do ataque, sem perder a ternura e sem desprezar a garra. As lágrimas de felicidade de Luisito resumem tudo.

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