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Ato do MP contra o Palmeiras

Luiz Prosperi

02 de dezembro de 2014 | 18h47

Seria nobre, com o perdão do trocadilho, se objetivo do Ministério Público fosse mesmo o cuidado com a segurança do cidadão comum no caso do jogo Palmeiras x Atlético-PR. Na verdade, a preocupação não era essa. O MP não queria ver o Palmeiras jogar a partida de sua vida na sua casa alegando falta de segurança. Seria vaidade? Mas recuou e aprovou nesta terça-feira a realização do jogo na nova arena palmeirense, partida que decide a permanência ou não do Alviverde na Série A do Brasileirão.

Ponto para Paulo Nobre, presidente reeleito do Palmeiras, que não se deixou levar pelas ponderações do MP e bateu o pé para o jogo ser disputado no Allianz Parque.

O MP havia mostrado “preocupação” com a segurança no entorno do estádio. Temia por ondas de violência que poderiam inflar as ruas e chegar aos dois shoppings centers vizinhos à arena no caso de o time paulista ser rebaixado à Série B.

Tamanha heresia do MP veio acompanhada dessa explicação do promotor Paulo Castilho, o mentor dessa infeliz sugestão:

“Se você precisar usar a força policial na Rua Turiassu, usar uma bomba, você tem um entorno com muitas pessoas, dois shoppings, com crianças…”, disse Castilho, encarregado de colocar em dúvida a realização do jogo na nova casa do Palmeiras.

Com toda a paciência do mundo, essa manifestação do MP soa um tanto estranha. O estádio, inaugurado no mês passado com Palmeiras 0 x 2 Sport e batizado com dois shows do mega astro Paulo McCartney, atende aos padrões de segurança determinado pela Fifa. Está no mesmo nível dos estádios modernos em que não se usam mais alambrados para separar o campo de jogo dos torcedores.

A arena foi construída em cima do antigo Palestra Itália, campo que abrigou grandes conquistas do Palmeiras e grandes fracassos também. A rua Turiassu é a mesma de sempre, com bares e aglomeração de torcedores – festivos ou violentos, dependendo da situação do time. E os dois shoppings vizinhos ao estádio foram edificados há mais de dez anos, por baixo.

Paulo Castilho sabia de tudo isso antes de colocar em dúvida a realização do jogo decisivo do Palmeiras. O promotor, ao ser questionado na coletiva de imprensa se o Pacaembu seria uma alternativa no caso de veto da arena palmeirense, conclamou:

“No Pacaembu você tem uma grande praça à frente, você não tem bares onde as pessoas ficam bebendo, criando problema, e depois tentando invadir. No Pacaembu você tem alambrado”, disse Castilho.

Com licença, promotor. O Pacaembu já foi alvo de cenas lamentáveis de violência, desde jogos importantes com Corinthians, Palmeiras e São Paulo, até em torneios de times de garotos. Um torcedor já foi morto a pauladas na pista de atletismo, entre o gramado e os alambrados, após uma decisão entre Palmeiras e São Paulo em uma Copa de juniores lá pelos idos de 1996.

Por essas e por outras é que o futebol sempre gera polêmicas desnecessárias. Sempre tem alguém interessado em tirar uma lasquinha. Não há limites para a vaidade.

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