Calendário da CBF é uma provocação
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Calendário da CBF é uma provocação

Brasileirão 2016 terá cinco rodadas no período da Olimpíada do Rio. A Globo concordou com essa acomodação dos jogos?

Luiz Prosperi

26 de agosto de 2015 | 18h11

A comissão de clubes instala na CBF, com plenos poderes para definir e cuidar da gestão dos campeonatos de 2016, certamente não foi consultada para a elaboração do calendário do futebol do ano que vem. Se, por acaso, os clubes deram palpite nessa programação das competições divulgada pela CBF é bom encaminhar os dirigentes para um sanatório.

“Temos nossas diretrizes de trabalho, passadas pelo presidente, e as medidas que tomamos seguem essa linha. Ouvimos os clubes, fazemos pesquisas com os torcedores e partimos para a atitude”, disse Manoel Flores, diretor de Competições da CBF.

Difícil entender que os clubes participaram desse estudo e autenticaram a distribuição dos campeonatos em 2016. O calendário é quase uma provocação. Teremos cinco rodadas do Brasileirão no período da Olimpíada do Rio. Teremos ainda rodadas um dia após os jogos da seleção brasileira nas Eliminatórias da Copa de 2018. Prejuízo certo aos clubes, torcedores, patrocinadores e demais investidores no futebol.

COLETIVA/MARCO POLO DEL NERO

Como dividir atenção do País entre o Brasileirão e a Olimpíada?  Um evento dessa magnitude com olhares do mundo todo debruçado no Rio e pela primeira vez tendo o Brasil como sede vai consumir a audiência das tevês. Será que a Globo, dona dos direitos de transmissão do futebol brasileiro e com um investimento de R$ 1,1 bilhão nos clubes, concordou com o calendário da CBF?

Muitas interrogações e muita incompetência.

Não custa lembrar que durante a Olimpíada estádios importantes serão cedidos aos organizadores dos Jogos do Rio para receber partidas dos torneios de futebol masculino e feminino. São eles: Maracanã, Engenhão, Itaquerão, Mineirão, Mané Garrincha, Fonte Nova e Arena Amazônia.

Ou seja, a CBF virou o futebol brasileiro de ponta cabeça. Mas preservou as 19 datas dos campeonatos estaduais que, nos últimos anos, têm sido um retumbante fracasso de público e de técnica. Os presidentes das federações agradecem. Com eles ninguém mexe. Faturam alto com seus campeonatinhos e votam unidos no presidente da CBF.

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