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Campeonato Brasileiro da ilusão

Luiz Prosperi

11 de setembro de 2011 | 22h25

Com o perdão dos que enxergam este Campeonato Brasileiro algo de eletrizante, a verdade é que está nivelado bem por baixo. Não há um grande time, os jogos são uma enorme correria, nenhum jogador assombra e a maioria dos treinadores vive fase bem ruim. Gasta-se muito suor, pensa-se pouco e bola de primeira mesmo só no sonho.

É tão evidente, que a única partida interessante, daquelas para guardar na memória e gravar um DVD, aconteceu na Vila Belmiro, na espetacular vitória do Flamengo por 5 a 4 em cima do Santos. E ainda com um show particular de Ronaldinho Gaúcho e o endiabrado Neymar.

Os mais entusiastas vão dizer que nenhum campeonato do mundo é tão equilibrado como o Brasileirão. Têm como argumento os números da tabela de classificação que indicam pelo menos oito candidatos ao título. Contas que abraçam o líder Corinthians, com 43 pontos, até, vai lá com uma generosa dose de boa vontade, o Palmeiras, oitavo colocado com 34 pontos.

Está bem claro que a corrida pela taça mostra um no calcanhar do outro. Ninguém dispara. Ninguém dá um sprint digno de um Usain Bolt.

Também, pudera. Os times são fracos, sem uma novidade tática, sem pelo menos dois a três jogadores de alto quilate. Não por acaso, a cada rodada somos obrigados a falar de Neymar, Lucas, Ronaldinho Gaúcho, Borges e, agora, deste infalível Leandro Damião, a personificação exata do camisa 9 por excelência. Somando tudo, é pouca gente para um campeonato onde, dizem, sobram candidatos ao cobiçado título

Diante de um quadro como este, fica difícil também arrancar dos treinadores algo mais. Até mesmo os catedráticos, casos de Luiz Felipe Scolari, Vanderlei Luxemburgo, Muricy Ramalho e Tite estão no limite.
Aliás, dos quatro, apenas Muricy pode dormir sossegado, abençoado pela conquista da Libertadores.

A pressão sobre Felipão e Luxemburgo já beira ao insuportável. Tite também vive com um pé no inferno. Nem mesmo os currículos que ostentam servem como salvaguarda diante dos amedrontados cartolas e das insanas torcidas organizadas. Não basta ter nome.

Quanto aos outros treinadores, nada a cobrar. Eles vivem da desgraça de seus próprios pares. Não é de hoje. Neste Brasileirão, a maioria tem sugado as veias dos clubes com a permissão dos dirigentes.
Veja, por exemplo, quantos times Antônio Lopes já dirigiu neste campeonato. A lista tem Joel Santana, Cuca, Dorival Júnior, Paulo César Carpegiani, Adilson Batista e alguns outros de segundo escalão.

O Brasileiro não empolga. Apenas vive de ilusão.

(coluna publicada na edição 12/09 do JT)

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