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CBF deveria ser punida pelas mortes no futebol

Marin, em nenhum momento, lamentou em público mais uma morte no futebol brasileiro. Até parece que a CBF não tem nada com isso e o caso seria restrito à Polícia e Justiça.

Luiz Prosperi

21 de outubro de 2014 | 18h10

O futebol paulista registrou neste domingo a terceira morte no ano no confronto entre torcidas organizadas. No Brasil já são 13 mortos e ainda não fechamos a temporada. Com exceção da Polícia e de um promotor do Ministério Público de São Paulo, ninguém moveu uma palha na tentativa de amenizar a violência no futebol brasileiro.

As primeiras providências foram as detenções de alguns envolvidos e indiciamento de outros. Há ainda um movimento, tímido é verdade, pedindo a extinção das duas torcidas organizadas.

Dentro desse escuro cenário, a primeira pergunta que cabe é essa: o que faz a CBF? Principal gestora do futebol nacional, a entidade fecha os olhos diante da selvageria. As federações estaduais se espelham na nave-mãe e não se expõem.

Um dia após a morte do palmeirense Leonardo da Mata Santos, de 21 anos, envolvido na emboscada da Mancha Alviverde contra a Torcida Jovem do Santos, José Maria Marin, presidente da CBF, veio a público e disse assim:

“A vitória sobre a Argentina (2 a 0, amistoso na China) é fruto das lições tiradas dos 7 a 1. O futebol brasileiro voltou a ser respeitado em todo o mundo, mais do que nunca.”

Marin em nenhum momento lamentou em público mais uma morte no futebol brasileiro. Até parece que a CBF não tem nada com isso e o caso seria restrito à Polícia e Justiça.

O presidente da CBF tem preocupações outras como contar dinheiro. Nos quatro amistosos que a seleção brasileira jogou em setembro e outubro contra Equador, Colômbia, Argentina e Japão, a CBF faturou R$ 12 milhões de direitos de transmissão vendidos à TV Globo e mais 4 milhões de dólares líquidos (cerca de R$ 9,8 milhões) da empresa que vendeu os jogos. Uma brincadeira de quase R$ 20 milhões em quatro joguinhos.

Enquanto a CBF não for responsabilizada por parte da violência no futebol e, por tabela, as federações estaduais em que os delitos ocorrerem, pouca coisa vai mudar no futebol brasileiro.

Punir apenas os clubes com multas e perdas de mando de jogos ou afastar as organizadas dos estádios é apenas um remédio vencido.

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