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CBF prepara mudanças no futebol brasileiro

Novo presidente da entidade, alinhado com a Globo e clubes, vai dar uma nova ordem ao esporte

Luiz Prosperi

14 de abril de 2015 | 21h00

Marco Polo Del Nero assume a presidência da CBF nesta quinta-feira. Aos 74 anos, chega ao poder máximo do futebol brasileiro. E a primeira interrogação: vai dar continuidade ao reinado de Ricardo Teixeira (1989 a 2012) no comando da entidade ou vai ditar um nova ordem, agora livre das amarras de José Maria Marin?

Difícil encontrar uma resposta antes do discurso de posse. Mas não custa advertir que muita coisa está em jogo neste momento no futebol do Brasil. Não se descarta, por exemplo, uma reviravolta no Campeonato Brasileiro, passando dos pontos corridos para o mata-mata. A maioria dos clubes quer, a TV Globo também e Del Nero assina embaixo.

Aliás, a Globo, parceira da CBF desde o início dos anos de 1990, tem e vai continuar a ter peso decisivo nas mudanças que estão por vir no futebol a partir do mandato de Del Nero. A emissora paga boa parte da brincadeira e não quer perder o controle dos campeonatos nesse momento de ibope baixo na transmissão dos jogos.

A Globo vai insistir com Corinthians e Flamengo no topo da sua preferência na hora de escolher o jogo a ser exibido às quartas-feiras e aos domingos. A rede sabe que vem artilharia pesada aí com a FOX (do poderoso Rupert Murdoch) e o Esporte Interativo (da gigantesca Turner). E não admite desgarrar dos dois clubes mais populares do País.

Outra questão na mesa de Del Nero: o refinanciamento da dívida dos clubes. Aí trata-se de uma briga com o governo Dilma. Não por acaso, o novo presidente da CBF escalou o político Walter Feldman para entrar no jogo. Feldman já habitou a seara dos tucanos, Kassab e Marina Silva e agora vai ser o secretário-geral da CBF.

A ascensão de Del Nero também marca a volta do futebol paulista ao poder na CBF. Em meados dos anos de 1980, o político Nabi Abi Chedid chegou lá em composição com cariocas dos quartéis. Naquele tempo, Telê Santana, muito identificado com o futebol de São Paulo, revolucionou a seleção brasileira.

Com Del Nero, treinadores de bom trânsito no futebol paulista podem se assanhar na sucessão de Dunga. Aliás, não será surpresa se Dunga for demitido diante de um eventual fracasso na Copa América no Chile que se avizinha.

Tite, herdeiro natural da coroa de Dunga, parece, não tem a simpatia de Del Nero. Tite é ligado a Andrés Sanchez, inimigo figadal de Del Nero. Nesse caso, Vanderlei Luxemburgo pode crescer pelos seus laços com o novo presidente da CBF. Não por acaso, é cobiçado pelo São Paulo de Carlos Miguel Aidar, outro dirigente leal a Marco Polo Del Nero.

As cartas estão na mesa.

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