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CBF erra e Gallo leva a culpa

Luiz Prosperi

12 de fevereiro de 2015 | 16h42

Véspera do jogo contra a Alemanha na Copa do Mundo. Alexandre Gallo chega na Granja Comary ao lado de José Maria Marin, presidente da CBF. Os dois se dirigem ao campo de treinamentos para acompanhar o trabalho de Felipão. Passam a maior parte do tempo sentados no banco com a comissão técnica da seleção. Quando o treino acabou, Marin e Gallo foram conversar com Felipão e depois partiram para o Rio acomodados no banco traseiro de um carro de luxo, com direito a motorista.

Marin, na época, não escondeu de ninguém que Gallo era seu preferido para dirigir a seleção na Olimpíada do Rio em 2016 e seria o sucessor natural de Felipão depois da Copa. Marin era só elogios a Gallo.

Passado o trágico 7 a 1 para a Alemanha, Felipão foi defenestrado por Marin e Del Nero. Gallo ganhou mais poder com um mega projeto para as categorias de base do Brasil. Falou como um catedrático, desde ensinar os goleiros a jogar como líbero (no modelo do alemão Neuer) até moldar a seleção com o futebol do futuro.

Gallo viajou o mundo para garimpar diamantes, garotos de talento que deixaram o Brasil ainda criança em busca do eldorado no futebol europeu. Marin deu tudo e mais um pouco que Gallo havia pedido.

Marin só se esqueceu de um detalhe: o inexpressivo currículo de Gallo que cabia com folga numa caixa de fósforos. Ele ainda era um aprendiz com pose de professor. Em uma visita ao Estado, já na função de coordenador das categorias de base da CBF, Gallo disse que não era necessário avaliar garotos País afora porque os grandes clubes do Sudeste, por tradição, já garimpavam os meninos pelo Brasil.

Não era bem assim. Na primeira competição oficial da seleção Sub-20, o Sul-Americano encerrado no último sábado, o time de Gallo prestou um péssimo serviço ao futebol brasileiro. Jogou feio, truculento, na base da força, e colecionou fracassos. Garantiu a vaga ao Mundial, com o quarto lugar entre seis finalistas, além do sacode (3 a 0) para a Colômbia na despedida.

Resultados ruins e o fraco futebol levaram Marin a afastar Gallo da coordenação das categorias de base da CBF nesta quinta-feira.

A culpa não é de Alexandre Gallo. A culpa é de quem o escolheu. O futebol brasileiro continua à deriva.

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