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Clube com dívidas deveria ser rebaixado

Na Espanha, Murcia cai para a Série B por dívidas tributárias. No Brasil, a CBF não está nem aí com os clubes caloteiros. Finge que não é com ela.

Luiz Prosperi

07 de agosto de 2014 | 17h49

A Liga de Futebol Profissional (LFP), a CBF da Espanha, rebaixou o Murcia à Série B nesta quinta-feira. O pecado do clube foi não ter quitado seus débitos com a Fazenda (Receita Federal) – a dívida alcança cerca de R$ 36 milhões, uma bagatela perto do que os clubes brasileiros devem de tributos. Além da queda à segunda divisão, o Murcia levou uma multa de R$ 360 mil.

No Brasil, clubes devedores não são rebaixados. Disputam os campeonatos, mesmo sem orçamento para cumprir com suas obrigações tributárias e dinheiro para manter salários em dia. A CBF não está nem aí com os clubes caloteiros. Finge que não é com ela. Não há nos regulamentos dos campeonatos do futebol brasileiro uma norma a contemplar com rebaixamento os clubes devedores.

Daí a farra de contratações de jogadores acima da capacidade do clube de honrar seus compromissos. Sem equilíbrio no orçamento, os clubes montam elencos com penduricalhos e reforços de emergência sem o mínimo planejamento. O resultado disso tudo são times ruins e, por consequência, jogos de baixa qualidade.

Times desvertebrados quase sempre produzem pouco e respingam na televisão, hoje a mantenedora e maior vitrine do futebol brasileiro. Não por acaso, a Globo resolveu entrar nessa discussão sob pena de ferir seus interesses financeiros.

O caso do Murcia na Espanha é exemplar. A questão lá nem era o montante da dívida com a Fazenda e sim os prazos que o clube teria para quitar o débito. Sem dinheiro para cumprir os prazos de pagamento, a LFP decidiu rebaixar o Murcia.

É um bom exemplo a ser seguido no futebol tupiniquim. Basta um consenso entre clubes, CBF, governo e investidores (televisão e patrocinadores) para dar início à mudança.

Difícil acreditar que, neste momento de reflexão do futebol brasileiro, vamos ver o caso do Murcia se repetir aqui. A única certeza: quando os donos do show perdem cada vez mais dinheiro, algo de muito sério está por vir.

Não podemos jamais esquecer dos 7 a1 para a Alemanha.

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