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Clubes são cúmplices do escândalo da Fifa

Imagem dos craques é usada pelos dirigentes na hora de cobrarem propinas e os clubes, que pagam salários dos jogadores, preferem o silêncio

Luiz Prosperi

29 de maio de 2015 | 12h42

Dos R$ 450 milhões de propinas pagas aos dirigentes da Fifa, que foram presos pelo FBI, cerca de R$ 300 milhões vieram da organização da Copa América que será disputada nos Estados Unidos em 2016. Trata-se de uma edição especial para celebrar os 100 anos da Copa América.

Como o torneio será em território americano, a Justiça dos EUA, que já investigava os desmandos dos cartolas da Fifa há mais de 20 anos, botou uma lupa nessa dinheirama da Copa. Aí os cartolas dançaram. O dinheiro desviado para esses dirigentes passou pelos principais bancos dos EUA. Por isso a casa caiu.

Esse dinheiro das propinas, na sua maioria, saiu dos direitos de transmissão pela televisão e patrocinadores. E o que querem as TVs? Exibir os jogos e faturar em cima deles com a venda de cotas de publicidade. E o que querem os patrocinadores? Associar suas marcas à imagem dos craques e coadjuvantes.

Um campo fértil para os cartolas levarem um “troco” graúdo por fora na hora de vender os direitos de transmissão dos jogos e aos patrocinadores.

Agora vem a pergunta? Quem paga os salários, aliás altos salários aos jogadores? A resposta é fácil: os clubes de futebol. São os clubes que se viram para bancar em seus times os jogadores, craques ou não.

Como a Copa América é um torneio de seleções é natural que a nata dos jogadores vai defender seus países. Para não ir muito longe, vamos falar em Messi e Neymar que vão vestir as camisas da Argentina e Brasil, respectivamente. Os dois jogam no Barcelona. É o Barça quem paga uma nota alta aos dois. Podemos dizer que Messi e Neymar foram usados pelos cartolas para cobrar as propinas que alcançaram R$ 300 milhões.

Vamos agora falar da Copa do Brasil, nosso torneio de clubes, que também aparece no escândalo da Fifa. Cartolas e empresas faturaram alto com os direitos de televisão da Copa do Brasil. É a mesma lógica da Copa América. Os clubes colocam seus times em campo, bancam salários de seus jogadores e têm pouco retorno com as cotas de televisão.

Não é difícil concluir que os clubes são usados pelos dirigentes e empresários, agora envolvidos no escândalo da Fifa. E o impressionante disso tudo é que os presidentes dos clubes não se mostram indignados. Pior, eles, na sua maioria, não tomam uma posição. Estão quietos como todos os cúmplices dos criminosos.

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